Na PR-445, que dá acesso a Tamarana, já é possível ter uma ideia dos estragos da tempestade. Árvores foram arrancadas pela raiz, alguns pontos de ônibus foram destelhados e postes derrubados. A assessoria de imprensa da Copel informou que 22 postes foram quebrados em Tamarana e 12 em Lerroville. A maior parte deles ao longo da Rodovia Victório Francovig.
Já na cidade, o cenário é ainda pior. Mais de 200 casas foram destelhadas e mais de 50 árvores caíram sobre ruas e muros. "É inacreditável. Eu só tinha visto isso nos filmes. Eu estava assistindo televisão quando ouvi um barulho do vento. Em questão de minutos, o telhado do quarto caiu, derrubou o forro e foi molhando tudo. Deu tempo só de pegar os meninos e correr para a sala", conta Geberson Gomes.
Além dos móveis e do telhado, o muro de toda a casa também foi destruído. "Faz dois meses que terminamos de construir a casa e nos mudamos. É muito triste, mas o que importa é que estamos bem", diz ele, que mora com a esposa, dois filhos e duas enteadas, na região central.
A alguns metros dali, a dona de casa Angélica da Silva Cardoso também procurava reparar os danos. Sua casa foi destelhada, comprometendo os móveis e colchões. "Eu e meu marido estávamos em um sítio aqui perto e ficamos sabendo do temporal horas depois. Quando a gente chegou e viu a casa destruída, foi um susto. Não vamos poder dormir em casa hoje. Vamos ficar na casa de parentes", lamenta.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Tamarana, Arnaldo Silva de Oliveira, as famílias que tiveram as casas destelhadas foram assistidas com lonas e não há registros de desabrigados. "Estamos com uma equipe de 15 homens, ajudando na remoção de árvores e limpeza geral da cidade", completa. (M.O./Colaborou Luís Fernando Wiltemburg)
‘Só tinha visto isso nos filmes’
A tempestade que caiu sobre o norte do Paraná na tarde de sábado, 4, deixou um rastro de destruição em Tamarana e no distrito de Lerroville. As fortes rajadas de vento causaram prejuízos e assustaram moradores, que chegaram a chamar o episódio de "tornado". Apesar dos estragos, não houve feridos.
Neste domingo à tarde, a reportagem percorreu as ruas de Tamarana, que tem pouco mais de 10 mil moradores e encontrou famílias tentando reerguer muros e cobrir telhados. A tempestade comprometeu todo o abastecimento de água, energia elétrica, telefone, internet e gerou a suspensão das aulas nas escolas municipais e estaduais, afetando cerca de 1.200 alunos.
Equipes da Copel (Companhia de Energia do Paraná), Sercomtel (Serviço de Comunicações Telefônicas de Londrina) e Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) estavam nas ruas trabalhando no reabastecimento à população.
Até a tarde de domingo, algumas poucas casas continuavam sem energia, telefone e internet, mas a cidade toda seguia sem água. As famílias foram abastecidas por um caminhão-pipa disponibilizado pela Sanepar, em frente à Escola Municipal Professora Taeko de Lima Almeida.
"Estamos trabalhando com a Defesa Civil para colher informações necessárias para documentar os estragos e decretar, se preciso, um estado de emergência. Ainda não temos a dimensão dos prejuízos. As unidades básicas de saúde e prédios públicos foram afetados, mas a ideia é, com exceção das escolas, manter os atendimentos normalmente", afirma Beto Siena (DEM), prefeito de Tamarana.
Siena deve se reunir com todo o secretariado na manhã desta segunda-feira, 6, para discutir os próximos passos. De acordo com o boletim meteorológico do Climatempo para o sábado, 4, já estava prevista uma chuva forte no Paraná com raios e intensas rajadas de vento, chegando a 90 km/h. (Micaela Orikasa/Grupo Folha)