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Quem quer ser assaltado? - Insegurança e medo no Bosque

28 fev 2016 às 22:58

Aflição, medo, insegurança, dor. Sobram sensações desagradáveis para quem se arrisca no bosque central, localizado entre as ruas Rio de Janeiro e São Paulo, no coração de Londrina, e também lamentações, relatos sobre violência: ameaça, assaltos, abordagens de estranhos e usuários de drogas. Local que poderia servir apenas para o lazer, o descanso, o encontro entre moradores ou simplesmente de ligação para as vias laterais.
No fim de semana, o radialista Cléber Pontes passou por momentos de terror no bosque. Após sofrer uma pancada na cabeça, perdeu o sentido e precisou ser socorrido pelo Siate. "Eu estava atravessando da rua São Paulo para a Rio de Janeiro, já no fim da tarde. Desconfiei que estava sendo perseguido, acelerei os passos, mas não olhei para ver quem era. Em seguida fui golpeado na cabeça e apaguei. Acordei com as pessoas ao meu redor. Elas contaram que um homem alto, magro, bateu com uma barra de ferro na minha cabeça, mas eu não o vi. Acho que ele queria me roubar, mas nada meu foi levado", relata Pontes. "Chamaram o Siate para que eu fosse socorrido. A Polícia Militar foi chamada e chegou rapidamente, mas não registrei o boletim de ocorrência", explica o radialista, que sofreu ferimentos na região da cabeça e já se considera recuperado fisicamente.
A movimentação na mata do bosque é frenética durante a noite. Jovens entram com as mãos vazias e retornam segurando algo. Outros escondem objetos na vegetação. O local também serve de motel a céu aberto e ponto de "negócios" de garotos de programa. Realidade que afasta os pedestres do bosque após as 18 horas, com o fim do horário de verão. E não é para menos, no início da última semana as luzes do bosque encontravam-se apagadas. A escuridão deixava o espaço ainda mais assustador. "Eles aproveitam a escuridão do bosque para esconder drogas, produtos roubados e para fazer sexo. Já vi dois homens tendo relação sexual atrás de uma árvore desta. Até aí tudo bem, pois eles não incomodam. O maior problema é quando um estranho vem te abordar pedindo dinheiro ou cigarro", diz um estudante morador da região, que não quis se identificar.


Fábio Alcover

No domingo, agentes da GM enquadraram um grupo de jovens que estava em atitude suspeita na região do Bosque


GUARDA MUNICIPAL


De acordo com o secretário municipal de Defesa Social, Rubens Guimarães, equipes motorizadas da Guarda Municipal (GM) realizam patrulhamento durante o dia e a noite no interior do bosque e também nas ruas em volta. "Nossas equipes têm patrulhado constantemente o local, inclusive com o apoio de motocicletas. Abordagens a suspeitos são realizadas", diz Guimarães. Segundo ele, o espaço é frequentado por usuários de drogas. Alguns suspeitos se aproveitam da escuridão e da facilidade de se esconder em meio as árvores para dificultar a ação dos GMs.
"Mas não posso falar sobre a incidência de roubos e furtos naquele lugar. É necessário fazer o levantamento com o nosso setor de estatísticas. Qualquer tipo de denúncia deve ser feita no telefone de emergência, o 153", divulga ele. O NOSSODIA entrou em contato com o setor de estatísticas da GM, mas, até o fechamento desta edição, não obteve resposta. Na última semana, a base da Guarda Municipal, localizada na rua São Paulo, ao lado bosque, encontrava-se fechada.
Ao ser questionado sobre as reclamações de um leitor, que afirma não ter sido atendido após comunicar os casos de violência aos guardas municipais, Guimarães revela que não recebeu reclamações recentes sobre o assunto. "Se algum trabalho não tem sido feito pelos guardas, a reclamação não tem chegado a mim. Caso aconteça, a população pode fazer a denúncia diretamente para a nossa ouvidoria". O telefone da Ouvidoria é 3372-4658, das 8h às 17 horas, e o e-mail: gm.ouvidoria@londrina.pr.gov.br. (P.M.)



CUIDADOS E O 190


A tenente Maitê Baldan, do 5° Batalhão da Polícia Militar, destaca alguns cuidados que o pedestre deve tomar no local. "Não só quando trafegar pelo bosque, mas em qualquer outro lugar deve-se evitar falar ao celular. Além dos telefonemas, as redes sociais tiram a atenção da pessoa e dificultam que ela visualize quem está a seu redor. Ao usar o celular, a pessoa também pode chamar a atenção dos elementos e se tornar vítima de um roubo. Outra dica é que a mulher use bolsa próxima ao corpo, na parte da frente. A recomendação para o homem é que não mantenha a carteira no bolso traseiro", detalha a tenente. "Qualquer desconfiança sobre suspeitos, o cidadão pode ligar para a PM, no telefone 190. O patrulhamento já é realizado na região central de Londrina, mas comunicar a Polícia é de fundamental importância, pois trabalhamos com estatísticas", diz ela. Devido ao pouco espaço de tempo, o setor de estatísticas do 5° Batalhão não divulgou o número de ocorrências registradas pela PM na região do bosque. Porém Baldan informa que prisões foram realizadas nos últimos dias no centro de Londrina. (P.M.)



'CULPA DA CHUVAS'

A Sercomtel Iluminação informou que tem realizado manutenções e que as fortes chuvas do último mês prejudicaram a iluminação. Parte do reparo foi realizada e a conclusão do serviço ocorrerá quando o tempo permitir, divulgou a empresa. "Se já não bastasse ter que andar olhando para cima, atento com as fezes das pombas, ainda temos que ficar alerta com os humanos", ironiza o vendedor Bruno Felipe de Santana. "Trabalho na rua São Paulo e passo pelo bosque diariamente. Nunca fui assaltado, mas escuto falar sobre furtos de carros nas ruas ao lado e de pessoas que usam e vendem drogas dentro do bosque. É uma pena, pois esse lugar deveria ser um ponto turístico de Londrina", comenta. No mês passado, um grupo de representantes de entidades de classes se reuniu com o prefeito Alexandre Kireeff e os comandos da Guarda Municipal e da Polícia Militar para discutir alternativas para a onda de insegurança na área central. (P.M.)


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