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Queimou - Geada fez estragos em hortas da região

Walkiria Vieira
NOSSODIA
20 jun 2016 às 08:47

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Walkiria Vieira
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Cinco mil pés de alface perdidos. Foi o saldo da geada que comprometeu a produção da horta comunitária do conjunto Avelino Vieira, zona oeste de Londrina. De acordo com uma das responsáveis pelos cuidados com a área de plantio, Sidinéia Rosa Guimarães de Carvalho, 44 anos, não há o que fazer diante de 3 graus de temperatura, que abateram Londrina recentemente. "Mesmo que cubra com lona, a geada transfere e queima a folhagem", argumenta. "O chuchu morreu, a banana pretejou, o jiló e berinjela também", lamenta. De acordo com Carvalho, 25 famílias que dependem da venda das hortaliças serão prejudicadas. "Agora o jeito é esperar passar esse mês porque a geada também faz o solo perder nutrientes", acrescenta. Fora isso, a produtora tem um plano B: "Vamos fazer um viveiro e criar codorna para termos uma outra fonte de renda", antecipa.
Na Usina Três Bocas, zona sul de Londrina, o produtor Sérgio Rossi Grassi, 40 anos, estima perda de 15 a 20% de sua produção. A área de um alqueire e meio é destinada ao cultivo de couve manteiga, almeirão, rúcula, brócolis, hortelã, salsa, cheiro verde, cebolinha, nabo e pimenta. Grassi está no ramo há 20 anos e admite: "Não estávamos preparados. É torcer para não piorar", reflete. Em Ibiporã. Os produtores Flavia Saviski e Edilson Rien calculam perda de 60% de hortelã e manjericão. "Foram os que mais sofreram, embora a couve tenha dada uma amarelada". Os produtores relatam que a pior madrugada foi a de sexta para sábado, dia 11 de junho.
A produtora Rosineia Ramos Gomes, 39 anos, fornece couve, salsinha e cebolinha para vários supermercados e restaurantes de Londrina há 20 anos e a sensibilidade da alface às intempéries foi um dos motivos de a família abrir mão da hortaliça. "Plantávamos alface, rúcula e brócolis também, mas eles não resistem. A couve sente um pouco, fica mais dura, mas não chega a estragar", explica. Gomes relata que a distribuição é feita diariamente. Ao todo, 12 pessoas são diretamente empregadas graças à área de um alqueire localizada no Limoeiro, zona leste, destinada a seus produtos – entre plantio, colheita, empacotamento e entregas. "Os gastos continuam os mesmos, as despesas são diárias e a queda na produção certamente será sentida pelo consumidor. Ficamos todos temerosos", admite.

Couve mais cara
O produtor de couve Valdinei Santana, 42 anos, está colhendo a couve que não queimou. "Foram três madrugadas de geada. A couve amanhece coberta de gelo, queima e agora tem que ver o que salva." Santana fornece sua hortaliça para o Ceasa, supermercados, sacolões e também comercializa as folhas em uma banca na feira. "Amanhã vai estar mais cara. O maço de R$ 2 vai pra R$4. Não tem jeito. Hoje no Ceasa não tinha alface e assim será pelos próximos 30, 40 dias. Em São Paulo, não tem alface também", relata. Com 20 anos de atuação, Santana relata que cinco anos atrás viveu a experiência da geada e que desta vez, um amigo que é produtor sofreu uma grande perda. Valdinei disse que ainda não consegue calcular o total de prejuízo em seu sua área de cerca de um alqueire. "Quatro famílias dependem dessa produção e serão afetadas. Vamos ter que fazer a muda, replantar e dar umas férias forçadas", adianta. (W.V.)


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