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QUE SELVA - Paciente anda 6km para curar dor de dente

Paulo Monteiro
NOSSODIA
25 jun 2017 às 23:15

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Fotos: Paulo Monteiro
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Falta muita "coisa" no Patrimônio Selva, distrito localizado na zona sul de Londrina: grandes estabelecimentos comerciais, áreas para lazer, segurança. Nos últimos tempos, a comunidade também estaria sem atendimento público odontológico. É que a UBS (Unidade Básica de Saúde), a 15 quilômetros do centro de Londrina, não possui sequer um dentista. O profissional mais próximo da rede pública estaria a quase sete quilômetros, no Jardim União da Vitória.
Caminhando até lá, o paciente levaria ao menos uma hora. No caminho, o morador do Selva ainda tem de passar pela perigosa Celso Garcia Cid, a PR-445, também conhecida como a "rodovia da morte".
Além disso, apenas um médico e uma enfermeira seriam responsáveis por atender à unidade básica do Patrimônio Selva, nas segundas, quartas e sextas-feiras, no período da manhã. Os dois ainda atenderiam à unidade da Usina Três Bocas, nas terças e quintas-feiras, a aproximadamente 11 quilômetros de distância.
Apesar da demanda de pacientes, atualmente o "postinho" do Patrimônio Selva possui dois agentes de saúde, um servidor geral e uma auxiliar de enfermagem.
"Normalmente, atendemos de 16 a 20 consultas ao dia. Mas há ocasiões em que recebemos até 60 pessoas", diz a agente pública de saúde, que não terá o nome divulgado. "Há quatro anos a situação era bem diferente, tínhamos outros quatro auxiliares de enfermagem para ajudar no atendimento", diz ela.



UBS tem problemas de manutenção por todos os cantos, como infiltração na laje


Prédio deteriorado
O outro alvo de reclamação é a falta de manutenção no prédio de saúde. Inaugurado há 21 anos, ainda pelo prefeito Luiz Eduardo Cheida (1993-1996), está deteriorado. Segundo os funcionários, chove no corredor e no almoxarifado da UBS. Inclusive, há muitas infiltrações na laje, goteiras sobre os equipamentos e que deixam as paredes umedecidas. "Chega a cair pedaços de reboco do teto", mostra a agente de saúde.
"Existe uma quadra de esportes atrás da unidade. As crianças jogam bola nela. Nada contra isso. Mas, de vez em quando, a bola atinge e quebra os vidros da janela, que precisa de uma proteção", acrescenta. "O prédio também não possui muros ou cercas. Nos fins de semana, há muitos copos, garrafas, além de urina e fezes em volta. O cheiro é horrível", lamenta. (P.M.)

Projeto para reforma e ampliação
O NOSSODIA entrou em contato com a Secretaria municipal de Saúde e repassou a situação das unidades. A resposta foi enviada por Eliana Zaninelo Marussi, diretora geral da autarquia municipal. "Referente aos questionamentos, temos a informar que a UBS Selva não possui consultório odontológico, por isso os usuários da unidade são atendidos na unidade União da Vitória. Para sanar este problema, foi elaborado um projeto para reforma e ampliação da unidade (Selva), entretanto, estamos buscando captar recursos para a execução do mesmo", salientou Eliana.
Ela falou também sobre a deterioração do prédio. "Quanto aos problemas de manutenção citados, nossa equipe de manutenção tem ciência e executará os reparos. Informo também que no ano de 2016 foi ampliada uma sala para atendimento à população e realizado pintura da UBS", concluiu. (P.M.)


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