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Quase ninguém aperta o botão para pedestres

12 set 2018 às 20:42

O ditado popular fala que a expressão "elefante branco" é quando se tem algo, mas que não está servindo para nada. As botoeiras para pedestres instaladas em pontos de grande movimentação em Londrina não estão muito longe disso. Não é raro flagrar os pedestres atravessando no sinal vermelho sem se importar e muito menos perceber a existência do equipamento. Em Londrina, segundo a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), existem 17 locais com as botoeiras.


Em um desses locais, na rua Borba Gato esquina com a Avenida Bandeirantes, a vendedora Luciana Ventura, junto com seus dois filhos pequenos, atravessou em passo acelerado. "Aquele eu não enxerguei", disse, perguntada sobre o motivo de não ter usado a botoeira para atravessar. "Mas vejo que é importante, principalmente próximo à minha casa, na zona norte. Ali, se não tem (botoeira), ninguém consegue passar".
Apressado, o motorista Antonio Lemos foi outro que nem ligou para a botoeira. "Na verdade foi imprudência da minha parte", comentou, sem graça. "É a correria. Um tempo precioso, muito útil", ressaltou ele, que tinha uma consulta marcada.


Na esquina das avenidas Maringá e Tiradentes, o comportamento do pedestre segue o mesmo. É até difícil de encontrar alguém com paciência necessária para esperar o sinal abrir. Comum mesmo é quem só espera uma brecha para atravessar no vermelho. "Não acho útil, tem que melhorar. As vezes é melhor se arriscar mesmo", confessou a doméstica Rose Evangelista. "Aí, ó", disse a mulher ao NOSSODIA, não muito contente, lamentando que enquanto falava com a reportagem, perdeu a chance de atravessar – mesmo com o sinal fechado – enquanto os carros não passavam.


O NOSSODIA foi usar o equipamento e quase cozinhou no calor de 34º C. O sinal foi aberto depois de aproximadamente 1 minuto e 15 segundos. Se esperando para abrir, o tempo parece uma eternidade, quando está aberto é um salve-se quem puder: apenas de cinco a seis segundos. "Eu, como pedestre, não acho a botoeira útil. Mas penso nos cadeirantes e quem tem mobilidade reduzida", declarou a nutricionista Raquel Maia.


Falta de conhecimento e orientação
O especialista em trânsito Arnaldo Sebastião afirmou que detalhes fazem a diferença. "Em alguns locais, os botões estão em uma altura fora do campo de visão e também faltam placas indicando o equipamento. Noto também uma falta de conhecimento ao usar. A sociedade está vivendo em um período de corrida contra o tempo e parecem não querer esperar para apertar um botão e atravessar com mais segurança", afirmou. Sobre o tempo de espera, Sebastião indicou que não é normal. "Se demorar mais que um minuto (para abrir) é demais. Pode estar com defeito", finalizou. (E.N).


CMTU responde
O diretor de Trânsito da CMTU, Pedro Ramos, explicou que as botoeiras geralmente são instaladas em pontos com menor fluxo de pedestres e que é de grande importância o uso do equipamento. "No momento que for preciso e no período destinado ao pedestre, quando em condições normais ele não teria, por a via ser de grande movimento de veículos". Quanto ao comportamento, Ramos mostrou decepção. "É uma frustração nossa. Mesmo com as ações de conscientização, as pessoas não se dão conta de que podem tomar medidas de prevenção".

Sobre o intervalo de tempo entre os sinais vermelho e verde, Ramos afirmou que o sistema das botoeiras segue um padrão, desde quando é botão é acionado. "É uma reação em cadeia. Existe um ciclo de funcionamento. Se o sinal está verde, ele deve concluir o seu tempo, que gira em torno de 1 minuto e 20 segundos", como notado pela reportagem. Já o tempo de travessia, Ramos indicou que segue uma lógica de 1 metro por segundo. Se o trecho tem oito metros, por exemplo, são oito segundos de tempo para travessia. Sobre a comunicação visual, o diretor de trânsito concluiu que "toda e qualquer sinalização não é colocada através de opinião", e que "existem normas e regras de colocação, universalizadas, para a implantação das placas específicas de orientação". (E.N).


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