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Quando o desespero bate à porta - A face do desemprego

Walkiria Vieira
NOSSODIA
10 out 2016 às 09:28

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Reprodução/Facebook
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De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no país atingiu 11,8% da população e o número de pessoas fora do mercado de trabalho chegou à marca dos 12 milhões. O servente de pedreiro Fernando Filomeno, 35 anos, amarga o fato de, neste mês, completar um ano na condição de desempregado. Ele conta que está sempre levando currículo às empresas, quando houve alguém dizer onde está precisando de gente corre atrás, mas não consegue nada. "Fiz alguns bicos, mas de um dia aqui, outro ali. Preciso mesmo de serviço fixo. Isso é o que eu mais quero", comenta.
Diante das dificuldades, Filomeno acatou a ideia da esposa Aparecida. Com um cartaz no pescoço, circula pelas ruas de Londrina e expõe o seu apelo – na tentativa de ser visto e ouvido. "Ele ficou meio assim, é uma pessoa reservada. Mas falei para ele que ir com a cara e a coragem não é vergonha. Vergonha é roubar." Aparecida acredita que o maior entrave na recolocação do trabalhador seja a falta de escolaridade. "Ele não sabe ler, nem escrever. A mãe deixou a família quando ele tinha nove meses. Aos nove anos estava trabalhando na roça, foi fazer bituca de cigarro e não teve chance de estudar." Aparecida relata que por vezes observa o esgotamento do companheiro. "É difícil. Até eu me abato. Pelo menos aluguel a gente não paga. Moramos na casinha que era do meu pai e os parentes dão uma forcinha, o CRAS ajuda, mas nada como ter a própria renda, até porque eu tenho gastrite", desabafa. "Ouço críticas, mas não posso abandoná-lo. O Fernando é jovem, tem saúde, é honesto e trabalhou com carteira em construtora grande da cidade. Ajudou a erguer o shopping da zona leste, prédios na Gleba Palhano e tem muita vontade de voltar a trabalhar". Aparecida recorda a disposição de Filomeno todos os dias em que ia para o trabalho, até o ano passado. "Nunca teve preguiça. Eu ajeitava a marmita, ele tomava o cafezinho e ia, mas com a crise, a construtora precisou dispensar bastante gente e infelizmente ele entrou na lista", acrescenta. "Mas não perco a esperança. Vou até a papelaria, compro o formulário e preencho para ele. Torço para alguém se sensibilizar e o encorajo. Pode trabalhar em obras ou fazer faxina. Falo que tem que ser persistente e estamos firmes, mas as pessoas não imaginam como é duro fazer parte dessa realidade." Natural de Santa Mariana, Filomeno pode apresentar referências de seu trabalho, não tem filhos e pretende voltar a estudar para melhorar sua qualificação profissional. Os contatos com Fernando podem ser feitos pelos fones 8446-4364 ou 9622-9078.
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