Um "caldeirão" prestes a explodir. Hoje, a realidade na carceragem da Delegacia de Cambé é ainda mais grave que no dia quatro de março de 2014, quando 64 presos fugiram após renderem agentes de carceragem e investigadores de plantão. Na ocasião, o espaço tinha 169 detentos. Atualmente, com capacidade para apenas 50, a superlotada cadeia mantém 180 presos amontoados.
O perigo de uma nova fuga é iminente. Para que o caso não fuja totalmente do controle, o delegado de Cambé, Jorge Barbosa, mantém os presos "livres" em pátios e corredores da cadeia. "A situação aqui é grave. A Vigilância Sanitária e promotores da Justiça Criminal já fizeram vistorias no local e constataram que ele é totalmente insalubre", revela a autoridade policial. "A temperatura no espaço passa dos 40°C. O calor é muito alto. Além disso, há presos com doenças respiratórias, principalmente asma. Outros com tuberculose e sarna. Enfim, o caso é sério", continua.
O delegado admite que transferências até ocorrem, porém não mudam a realidade no interior da cadeia. "Saem dois, três presos, por exemplo. Mas entram outros detidos e trazidos pelas polícias Civil e Militar", explica Barbosa, que instalou várias câmeras pelo espaço para monitorar o clima dentro do "caldeirão". Além disso, a carceragem ainda mantém mulheres presas no mesmo ambiente, mas em celas separadas.
Delegado Barbosa tenta monitorar a muvuca pelas câmeras