Estender a prática da natação para crianças especiais é a proposta da coordenadora do projeto Natação para Todos, Márcia Greguol, da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Em desenvolvimento desde o ano de 2007, as aulas já mudaram para muito melhor a rotina das crianças atendidas na piscina que fica dentro do Cefe (Centro de Educação Física e Esporte) da UEL. Nesses 11 anos, quem não sabia nem soltar bolinhas pelo nariz, já dá suas braçadas. Quem tinha medo de água, perdeu. Para as mães das crianças atendidas, a evolução é diária e visível.
Moradora da Vila Casoni, Adriana Guimarães, 42 anos, é mãe de Jean Carlos, 12, que desde o ano passado é aluno regular do Natação para Todos. "O Jean tem deficiência intelectual. Só para você ter uma ideia, o banho para ele era algo muito complicado. Ele não gostava e a água que caía do chuveiro tinha um significado ruim para ele. Graças a Deus isso mudou. A hora do banho é tranquila e ele também se desenvolveu em outros aspectos", comemora. Adriana diz que está sempre em busca de mais qualidade de vida para o filho e foi numa dessas empreitadas que soube da natação voltada para as crianças com algum tipo de necessidade especial.
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A dona de casa Cleusa Gomes, 41 anos, mora no União da Vitória, região sul de Londrina. É mãe de Celso Henrique, 11, e recorda que aguardou na fila de espera para conseguir a vaga. "Não tinha voluntário para ficar com ele na água", explica. Felizmente já são dois anos na prática e o dia da natação é muito especial para a família. "Eu busco ele na escola e a gente já vem direto para a UEL. Ele chega em casa com um cansaço bom", expõe. Cleusa esclarece que as mudanças positivas são várias. "Hoje inclusive o professor de Terapia Ocupacional falou que a atividade na água só faz bem". Embora Celso tenha o diagnóstico de paralisia cerebral, Cleusa comenta que a natação o colocou em um outro patamar. "Fomos comemorar o Natal em uma chácara e o Celso foi pra piscina, se divertiu. Se não tivesse essas aulas e essa oportunidade, ficaria num canto. Ele não teve medo e sabia até onde podia ir naquele dia. Ficamos felizes em ver a liberdade dele".
Banho de solidariedade
A professora Márcia tem muita consideração pelos voluntários e enaltece o papel de cada um no processo. "Não é nem preciso saber nadar. A piscina tem 1m20 e eles recebem todas as orientações para que possam apoiar as crianças". Mas comprometimento, segundo a coordenadora, é essencial. "A pessoa que se oferece tem que entender que é um compromisso, que precisa ter pontualidade e assiduidade. Vir aqui duas vezes, tirar foto e publicar nas redes sociais #AmorEterno não é bacana", ratifica. Entre os voluntários atuais, a terceira idade se destaca. Dona Marilene Rossi tem 71 anos e deixou o time ainda mais rico ao transformar também o namorado em voluntário. A dona de casa Conceição Greguol, 70 anos, também mergulhou de cabeça. "É. Ela é minha mãe. Vendo toda a minha preocupação com a falta de voluntários, entrou para o grupo, leva super a sério e não quer saber de sair. E ela é uma dona de casa, nem sabe nadar", diz a professora Márcia. (W.V.)
Faltam fraldas, tocas e voluntários
De acordo com a professora Márcia Greguol, a sociedade pode ajudar o projeto e, consequentemente, na continuidade da atividade para as crianças e seus benefícios. A doação de fraldas à prova d’água, apropriadas para entrar na piscina é uma delas. Um pacote custa em média R$25. "Precisa ser M, G ou GG". A presença de voluntários também é fundamental para as aulas, pois é graças a esses anjos que ficam na água com as crianças especiais, que a professora Márcia pode coordenar todo o grupo, sendo que cada aluno vai ter uma atividade direcionada às suas necessidades. "Além dos benefícios comuns à natação, para esses alunos especiais, observamos o aprimoramento da musculatura respiratória, melhora no sono, no apetite e algo muito importante, a inclusão social: você nota como eles brincam, fazem novas amizades, interagem e desenvolvem autonomia", reforça. (W.V.)
SERVIÇO
O projeto Natação para Todos atende crianças especiais com deficiência física e mental. Doações de tocas para natação e fraldas são muito bem-vindas, assim como mais voluntários para que outras crianças possam integrar o projeto. Mais informações: 3371-4218.