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PROFISSÃO PERIGO

14 ago 2016 às 22:39

O "cospe fogo" Joas Rocha Deivid não esperava que a arte adquirida há 12 anos iria garantir o sustento da sua família no futuro. Mas é esguichando diesel pela boca em cima de uma chama que o jovem de 22 anos consegue comprar o leite do seu filhinho. Desempregado há vários meses, ele foi para a rua cuspir fogo em troca de singelas recompensas. A audiência é formada por alguns motoristas, que aguardam no semáforo da Avenida Leste-Oeste com a rua Mossoró, no Centro de Londrina. O show é arriscado, o artista coleciona marcas pelo corpo e já contabilizou dias de internação no hospital após sofrer graves queimaduras.
"Faço isso porque preciso pagar o aluguel da casa onde vivo com minha família e comprar leite para meu filho, de dois meses de vida. Não consigo emprego. Essa foi a única saída que encontrei", explica Joas. "É perigoso, sim. Há dois anos, sofri um acidente realizando o número", relembra o dolorido episódio. "Quando fui cuspir fogo, o vento se virou contra mim e as chamas atingiram meu rosto, braços e mãos. Além do rosto, boa parte do corpo ficou queimada. Tive que ser socorrido e levado para o hospital, onde fiquei vários dias internado em estado grave", conta o artista entre uma apresentação e outra.
Financeiramente falando, Joas revela que a atividade tem seus "altos e baixos". Atuando por aproximadamente seis horas por dia, avalia que há dias em que o show não é favoravelmente rentável. "Chego por voltas das 14 horas neste cruzamento (Leste-Oeste com a rua Mossoró) e vou embora perto das 17h30. Depois que anoitece, faço o meu show na Leste-Oeste com a Avenida Rio Branco, também no Centro. Durante a noite as chamas ficam ainda mais bonitas e consigo ganhar um pouco mais", explica. "Tem dia que chego a receber até R$ 200, mas tem outro que junto no máximo R$ 50, R$ 100", admite o artista de rua.
Por causa do número apresentado nas ruas, o jovem ficou conhecido na redondeza como "Bola de Fogo". Joas revela que aprendeu o número de cuspir fogo há 12 anos, na Escola de Circo de Londrina. No entanto, ele conta que, antes de ir para a rua, trabalhava como professor. "Sempre dei aulas de dança, sou especialista em ritmos brasileiros, como axé, sertanejo. Além disso, eu também dava aulas de capoeira. Mas hoje, com a crise, está muito difícil sobreviver apenas ensinando as pessoas a dançar. A procura por aula é muito pequena", lamenta o jovem, que é morador de Ibiporã. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)


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