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Profissão Barbeiro

21 ago 2014 às 08:46

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Já são 43 anos de atendimento no mesmo ponto, mas o barbeiro Agnaldo Bispo de Oliveira, 70 anos, lembra da primeira vez em que abriu a porta do salão e passou a se dedicar ao seu ofício: "comecei dia 22 de março de 1971". Natural de Ituaçu, na Bahia, herdou a profissão do pai e desde os 18 anos escolheu essa atividade para lutar na vida. "Era bonito demais ver o pai trabalhando. Ele fazia no capricho e só de ver, eu aprendi", relata.
Aposentado há seis anos, Agnaldo diz que nem passou pela sua cabeça parar de trabalhar. Ainda hoe, ele faz tudo de modo artesanal, como nas antigas. "O dinheiro da aposentadoria é um quebra-galho e dou na mão da minha esposa, a Lenice. Ela paga a faxina da casa e compra o que precisa para ela", conta. Casado e pai de quatro filhas, Agnaldo diz que foi graças unicamente ao trabalho na barbearia que conseguiu honrar as responsabilidades de um pai de família e viver com dignidade.
Santista fanático, Agnaldo exibe com orgulho em sua barbearia um quadro que anuncia sua paixão no futebol: "Seja bem-vindo, mas não fale mal do meu time". De riso fácil, fala mansa e bom humor, ele investe de 20 a 30 minutos para atender cada freguês. O tempo varia de acordo com o serviço, que pode ser um corte de cabelo ou uma barba muito bem aparada. O preço é único: corte de cabelo ou barba custam R$ 13. "Faço o que o cliente pede e o serviço benfeito chama cliente. A freguesia se renova. Lembro que só do antigo Banespa, oito bancários cortavam cabelo comigo. Mas esses já se foram todos", vai contando. Tem horas que nem as nove cadeiras do salão dão conta. Para dar conta do movimento, Agnaldo reforça seu time com o barbeiro Jaime. Juntos, eles dão contam de barba, cabelo e bigode.
De acordo com o barbeiro, o sucesso na profissão exige dom. "Não é uma área para qualquer um", avisa. E para administrar o próprio negócio, o autônomo diz que é preciso ter disciplina. "Tem que ter a cabeça no lugar porque se sair gastando tudo o que recebe no dia, não sobra nem para pagar o aluguel da sala".
Da porta de madeira e vidros às cadeiras Ferrante, o barbeiro se orgulha da originalidade. "Essas cadeiras são fortes, podem sentar cliente grandão de até 100 quilos", garante. No balcão de madeira revestido com fórmica, lá estão o borrifador de água, gel, loção pós-barba, pincel, escovas, tesoura e outras ferramentas que o profissional usa em seu serviço. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
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