O Brasil foi eliminado pela segunda vez seguida nas quartas de final da Copa América pelo Paraguai. Na noite de sábado, a seleção brasileira empatou em 1 a1 no tempo normal e depois foi derrotada nas penalidades por 4 a 3 (Douglas Costa e Éverton Ribeiro perderam). Logo após a derrota do Brasil, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, ligou para o técnico Dunga e para o coordenador de seleções, Gilmar Rinaldi. Não foi uma chamada para cobrança ou reclamação diante da eliminação precoce na Copa América. Era o contrário. O presidente queria transmitir tranquilidade e confiança para a continuidade do trabalho. Dunga agradeceu e respondeu que era muito bom trabalhar com essa estabilidade de não ter a pressão da busca por resultados imediatos.
O treinador não chegou a estar ameaçado, mas ficou aliviado ao perceber que a entidade continua apostando em um trabalho de longo prazo. O Brasil caiu no primeiro jogo eliminatório após a Copa do Mundo e repetiu a história da Copa América 2011: perdeu para o Paraguai, na decisão por pênaltis, com um desempenho ruim nas cobranças. No último sábado, Douglas Costa e Éverton Ribeiro chutaram para fora. Em 2011, haviam sido quatro erros.
"O Dunga corre risco zero de ser demitido", afirmou Walter Feldman, secretário-geral da CBF. "A determinação do presidente é de poder absoluto para a comissão técnica".
Números bons
Os números de Dunga são bons. Em 14 jogos, ele conquistou 12 vitórias e teve apenas duas derrotas. O futebol apresentado, no entanto, não convenceu. A equipe não fez nenhuma grande atuação na Copa América e parou no primeiro adversário "cascudo" que encontrou no torneio.
Sem Neymar, restam poucas opções de criatividade e talento. Pesou no voto de confiança dado por Del Nero os desfalques da equipe, que prejudicaram a campanha. Além de Neymar, que foi suspenso, Luiz Gustavo, Danilo e Oscar se machucaram e não puderam disputar a Copa América.
O próximo desafio da seleção brasileira será nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, a partir de outubro. De acordo com a Conmebol, a tabela será conhecida no dia 25 de julho, em sorteio na cidade russa de São Petersburgo. (A.E.)
Chile x Peru e Argentina x Paraguai
As semifinais da Copa América 2015 terão quatro seleções treinadas por técnicos argentinos. Ramón Diaz, comandante do Paraguai, Jorge Sampaoli, do Chile, Ricardo Gareca, do Peru, e Gerardo Martino, da Argentina, mostram o domínio dos hermanos no banco de reservas. O Equador (Gustavo Quinteros) e a Colômbia (José Pekerman) também apostaram em treinadores nascidos em solo argentino.
Os donos da casa tentam garantir passagem para a final nesta segunda, às 20h30, no Estádio Nacional de Santiago, feito que não consegue há 28 anos. Os chilenos lutam por seu primeiro título da competição. Em 1987, na Argentina, o Chile decidiu o caneco contra o Uruguai e perdeu por 1 a 0. Na terça, é a vez de a Argentina encarar o Paraguai, atual vice-campeão em Concepción, palco da eliminação brasileira, também às 20h30.
Problemas e mais problemas
Dunga deixou claro que o problema da seleção brasileira não é pontual, mas estrutural. Pela primeira vez, o time não vai disputar a Copa das Confederações. É mais um resultado ruim que faz parte de uma crise de identidade. "Todos temos que pensar no futebol brasileiro, não só no campo. A gente não pode deixar de notar que outras seleções melhoraram. Temos a humildade de arregaçar as mangas e trabalhar", disse.
O novo fracasso foi tratado de maneira contundente pela imprensa internacional. Um programa da televisão chilena perguntava se o Brasil ainda é uma potência mundial. O diário espanhol El País afirmou que o Brasil não sabe mais como se chama. (A.E.)
Vem pressão
Dunga já sabe que a pressão vai aumentar. Antes das Eliminatórias, o Brasil terá dois amistosos em setembro, contra Argentina e Estados Unidos. "A pressão no Brasil sempre tem. Quando ganha, tem pressão. Quando perde, muito mais. Tenho que trabalhar muito com minha equipe e confederação para dar resposta aos torcedores que estão tristes, assim como nós. Temos que trabalhar muito", disse o treinador.
Segundo Dunga, a participação da Copa América deixou o saldo positivo da experiência para os jogadores jovens, que disputaram o torneio pela primeira vez. "Perdemos cinco jogadores importantes, que poderiam ter sido titulares, mas preparamos novos jogadores. Ganhamos novas opções". (A.E.)