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Povo que sofre - Barraco meu de cada dia

Celso Felizardo
Folha de Londrina
22 jun 2015 às 09:14

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Gustavo Carneiro
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Quase um terço das moradias do Paraná é considerado inadequado. A afirmação é da 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) Brasil 2015, divulgada semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os três estados da Região Sul possuem índices parecidos, mas o Paraná aparece pouco à frente, com 31,2% de moradias inadequadas, seguido por Rio Grande do Sul (30,3%) e Santa Catarina (29,7%).
As moradias inadequadas ainda representavam 38,3% dos domicílios brasileiros em 2012. Pela pesquisa, no País dono da 8ª maior economia do mundo, quase duas casas em cada cinco não cumpriam os pré-requisitos básicos como: abrigar até dois moradores por dormitório, existência de rede geral de esgoto ou fossa séptica, coleta de lixo direta ou indireta e rede geral de água. A maior deficiência, segundo o órgão, é o atendimento por rede de esgoto.
A Vila Marízia, na região central de Londrina, é uma das cinco ocupações mais antigas de Londrina. Em 1970, 69 famílias se estabeleceram na região. Hoje, este número é pelo menos três vezes maior. Onde termina o asfalto na Rua Brasília Machado começam os problemas sociais. No meio das vielas barrentas em meio aos barracos não há serviços básicos como coleta de lixo, entrega de correspondência. O esgoto corre a céu aberto. "Queria morar em um lugar melhor, limpo sem toda essa sujeira", lamentou a dona de casa Eliane Ribeiro, de 48 anos.
Elias Batista de Oliveira, de 57 anos, mora sozinho em um barraco que ele mesmo construiu na parte baixa do bairro. Para chegar ou sair, passa todos os dias por uma estreita viela. "Isso aqui em dias de chuva se torna um rio", comparou. A cama instalada na sala serve como guarda-roupas e até depósito de ferramentas. "Não tem onde guardar. Tenho que juntar mais umas tábuas para aumentar aqui para o lado", disse, apontando para o terreno desnivelado.

‘Os problemas aqui vão muito além de morar mal’
A catadora de recicláveis Eliana de Souza Ribeiro, de 48 anos, foi uma das primeiras a chegar na ocupação da Vila Marízia (área central). Há quatro décadas ela ouve conversas sobre planos de urbanização do bairro que nunca saíram do papel. "Uma parte da Marízia foi legalizada, mas esse fundão aqui é abandonado. Tudo é na base do improviso", disse. Ela revelou sentir falta de uma casa melhor estruturada. "No frio é pior ainda. As crianças são as que mais sofrem. Eliane teve um filho de 18 anos morto após se envolver com as drogas. Os problemas do bairro vão muito além de morar mal", denunciou.
Dos problemas do dia a dia, o que mais a incomoda é a falta de infraestrutura básica. "Ter que colocar sacolas plásticas nos pés para sair de casa em dias de chuva é horrível". Já dentro de casa, toda a sujeira e desorganização do bairro somem. "Gosto de manter tudo limpo e em ordem. Não é porque a casa é pobre que tem que ser bagunçada", contou. "Aqui tem gente caprichosa, só precisamos de mais atenção do poder público", observa. (C.F.)

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Tem gente que tá satisfeita
Em muitos casos, a precariedade já está incutida nas pessoas. Na casa de Adelir da Silva, uma tramela segura o portão improvisado. A porta é fechada com uma corrente que passa por dois furos: um na porta e outro na parede. "Não adianta me oferecer casa longe porque eu não vou sair daqui", reclamou, referindo-se às novas unidades habitacionais da Cohab na periferia. Deitado na rede em frente da casa, José dos Santos, 45, também não pensa em deixar o bairro. "Não tenho pressa pra sair daqui, não. Melhor aqui do que ir pra onde não tem creche, escola, nada", opinou. (C.F.)


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