Cerca de 100 mil manifestantes, de acordo com os organizadores, foram às ruas em todo o Paraná nesta quarta-feira (15) para protestar contra as reformas da Previdência Social e trabalhista. A mobilização do Dia Nacional de Paralisação uniu diversas categorias profissionais. Os trabalhadores em educação no Estado iniciaram greve por tempo indeterminado.
Em Londrina, a Concha Acústica foi o ponto de encontro dos manifestantes, que vestiram roupas pretas e demonstraram descontentamento com o governo federal. A paralisação reuniu servidores públicos, profissionais da educação, trabalhadores rodoviários, metalúrgicos, funcionários de empresas da construção civil, vigilantes e representantes de sindicatos e movimentos sociais.
Mesmo diante de um impasse judicial, os ônibus do transporte coletivo urbano e metropolitano de Londrina deixaram de circular até as 10 horas. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), o serviço foi paralisado às 4h30. O presidente do sindicato, João Batista da Silva, avaliou como positivo o envolvimento da categoria. "A concentração na Concha Acústica foi surpreendente. A passeata pelo Calçadão reuniu quase 9 mil pessoas. Tivemos uma receptividade dos lojistas também. Valeu muito a pena", afirmou.
Conforme o sindicato, aproximadamente, 200 mil passageiros utilizam o transporte público todos os dias. Durante a manhã desta quarta, em meio à manifestação, o sindicato dos trabalhadores conseguiu reduzir o valor da multa fixada pela Justiça do Trabalho. Em vez de R$ 200 mil, em razão da interrupção do serviço, o valor caiu para R$ 50 mil. Conforme a decisão, pelo menos metade dos ônibus deveria ter circulado nos horários de pico. "Vamos tentar reverter essa decisão por completo. Acreditamos que não vamos ter que pagar multa", disse o presidente do Sinttrol.
A assessoria do Sindicato das Empresas de Ônibus Urbanos e Metropolitanos de Londrina (Metrolon) informou que todas as informações referentes ao protesto foram encaminhadas para análise da assessoria jurídica para verificar quais medidas poderão ser adotadas. (Magaléa Mazzioti e Viviani Costa/Grupo Folha)
Arquidiocese apoia manifestação
A Arquidiocese de Londrina divulgou nota para manifestar "apoio e solidariedade a toda e qualquer iniciativa que se oponha a esta proposta de reforma da Previdência". Entre as mudanças propostas criticadas estão a mudança de idade mínima para aposentadoria aos 65 anos para homens e mulheres e a extinção da aposentadoria especial para professoras e professores da educação básica e para trabalhadoras e trabalhadores rurais.
Funcionários dos Correios estenderam a paralisação por 24 horas e a entrega de cartas e encomendas só deve ser retomada nesta quinta-feira (16). (M.M. e V.C.)
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Professores permanecem em greve
Reunião entre representantes do governo do Estado e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) sobre a paralisação por tempo indeterminado, iniciada nesta quarta-feira, terminou sem acordo. Segundo informações da assessoria de imprensa da Casa Civil, os representantes do governo reforçaram que o Estado vai descontar os dias parados dos salários dos professores e funcionários. A medida só poderia ser revista caso as aulas fossem retomadas imediatamente.
Durante a reunião, conforme a assessoria, o governo sinalizou a possibilidade de antecipar o pagamento das progressões e promoções dos trabalhadores previsto para o mês de julho e ainda discutir algumas divergências relacionadas à resolução que alterou os critérios para a distribuição de aulas e a hora-atividade dos docentes. O secretário de comunicação da APP-Sindicato, Luiz Fernando Rodrigues, destacou que a greve está mantida por tempo indeterminado. "O governo não pagou a reposição da data-base em janeiro porque iria quitar os atrasados [progressões e promoções] desde 2015. A APP calcula que esse débito com os servidores esteja em torno de R$ 500 milhões", afirmou.
O presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, frisou que a pauta de reivindicações da categoria não inclui nenhum benefício novo. "Não estamos cobrando direitos novos, estamos lutando pela manutenção de direitos. O Paraná possui toda a condição de atender a nossa pauta, mas está fazendo o contrário, sem resolver os itens principais", disparou Leão. Segundo ele, a adesão à greve ultrapassou 80% em todo o Estado. Já para Secretaria de Estado da Educação (Seed), pouco mais da metade das escolas foi afetada pela paralisação parcial ou total das atividades. (M.M. e V.C.)