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POUCO CONHECIDA - Sepse causa 200 mil mortes por ano

17 set 2017 às 22:23
Febre alta, calafrios, dificuldades para respirar, fraqueza, pressão baixa, taquicardia, diminuição da quantidade de urina, sonolência e até confusão mental são sintomas característicos de várias doenças, inclusive sepse. Mais conhecida como infecção generalizada, a sepse pode ocorrer também em apenas um dos órgãos e despertar graves reações inflamatórias por todo o organismo.
A suspeita da doença nas primeiras horas após o início dos sintomas e o atendimento adequado poderia evitar mais de 200 mil mortes por ano no Brasil. No entanto, a redução nos óbitos esbarra na superlotação dos hospitais, na falta de equipamentos, medicamentos e laboratórios e na escassez de profissionais da saúde para fazer os atendimentos de urgência.
Segundo o Ilas (Instituto Latino Americano de Sepse), 25% dos leitos de UTIs no Brasil são ocupados por pacientes que desenvolveram a doença considerada a principal responsável pelas mortes identificadas na unidade. A infecção pode atingir crianças, adultos e idosos de forma grave, mas ainda é pouco conhecida entre a população e, às vezes, negligenciada pela equipe médica. Conforme o instituto, a sepse mata mais que infarto do miocárdio.
"Quase ninguém sabe o que é sepse ou já ouviu falar sobre a doença. É importante que a população saiba o que é para reconhecer os sinais e sintomas iniciais e procurar ajuda o mais rápido possível. Às vezes, o paciente chega ao pronto socorro tardiamente e, por mais que a equipe adote todos os procedimentos, é difícil controlar a infecção", explicou a coordenadora do Ilas, Mariana Barbosa Monteiro. A enfermeira esteve em Londrina para participar de um evento de capacitação promovido pelo HE (Hospital Evangélico).
Estudo publicado pelo instituto mostrou que em média, dos casos de sepse identificados nos hospitais brasileiros, 55% resultam em óbito. Já nos países desenvolvidos, a mortalidade varia em torno de 20% a 25%. Estima-se que mais de 400 mil casos por ano ocorram no Brasil. No entanto, o cálculo é feito de acordo com os números norte-americanos e já que há subnotificação das ocorrências nos hospitais brasileiros. Neste ano, a OMS (Organização Mundial de Saúde) incluiu a sepse como uma das prioridades no setor da saúde.
"Para melhorar esses índices, precisamos de campanhas públicas, de políticas de saúde e da implementação do protocolo de atendimento nos hospitais. É importante que a enfermagem tenha bastante conhecimento para fazer o encaminhamento precoce, que a equipe médica também esteja bem treinada e toda a equipe multidisciplinar como fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos estejam cientes das implicações da sepse", ressaltou Monteiro. (Viviani Costa/Grupo Folha)

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