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Por mais dias assim - Uma tarde de diversão no Vista Bela

04 mar 2018 às 21:43

A primeira história que a Carolayny Aloany Firmino de Miranda ouviu era a de uma menina tão alegre e inocente quanto ela, a Chapeuzinho "Vermelo", contou sorridente. A pequena de seis anos, que ainda está conhecendo a complexa língua portuguesa, foi com os pais no domingo (4) à quadra do Conjunto Vista Bela, na zona norte, para se divertir, e entre o pega-pega e o desafio das cordas, ouviu algumas histórias. "Eu acho importante trazer isso para as crianças aprenderem coisas diferentes, porque a rua não tem isso de bom" afirmou o pai, Lindinaldo Santos. Já a mãe, Letícia Firmino, afirmou que "a família toda se diverte junta". Dezenas de moradores do bairro, inaugurado em 2011, participaram do evento, dentro da programação do 7º Encontro de Contadores de Histórias de Londrina.
A tarde começou com um cortejo pelas ruas do Vista Bela. Apitos, percussão e o som do saxofone se misturaram com a cantoria dos artistas para agitar o bairro e chamar quem estava em casa. Em seguida, a cantora Meire Valin fez a abertura, trazendo canções que estão na ponta de língua de pessoas de todas as idades. "Hoje a gente vai saborear as mais deliciosas frutas do pomar do nosso cancioneiro popular, a maioria é de domínio público", afirmou. Nesta lista de canções, "tesouros que a gente tem" segundo ela, pode-se ouvir "Se esta rua fosse minha", "A barata diz que tem", "Pirulito que bate bate", "Da abóbora faz melão", "A árvore da montanha" e muitas outras que estão no repertório popular.
A tarde foi uma oportunidade para fazer a doação de livros, arrecadados pelos organizadores do Encontro e participantes de projetos sociais do bairro. Os filhos de Rita de Cássia Lemos, João Lucas (6) e Elissa Maira (7), levaram para casa livros mais recentes em perfeitas condições e até clássicos, também em bom estado, como "O Pequeno Príncipe" (Antoine de Saint Exupéry) e a coleção da "Turma da Mônica", além de outra das princesas da Disney. Segundo a mãe, a terceira do bairro a receber a chave do imóvel adquirido pelo Minha Casa Minha Vida, em casa ela "lê muito a Bíblia para os filhos, mas para entretenimento é legal você ter um livro com imagens e personagens que eles conhecem".
Rita de Cássia, conhecida como Potira no movimento Hip-Hop de Londrina, conta que está sendo difícil conseguir vagas na escola para os filhos, principalmente para o de quatro anos, e que projetos como o ECOH são muito importantes porque "o bairro tem um contexto bem pesado", em relação à reputação de violência. Para o morador Leandro Palemerah, não há o mesmo interesse por parte de veículos de comunicação ou moradores de outras regiões em "conhecer este lado do Vista Bela tanto quanto os casos de violência", lamenta.
As atividades artísticas terminaram com a apresentação da Cia. Malas Portam (SP), que levou instrumentos como o djembê e o agogô para contar histórias africanas, além do peculiar "canofante", construído por eles mesmos com um cano de PVC e uma bexiga que pode soar tanto como uma buzina de navio quanto um elefante. O grupo, que está com o passaporte carimbado para participar da 7ª edição do "Ven que te Cuento", em Hidalgo, no México, já se apresentou em Minas Gerais, Ceará, Rio de Janeiro e pela segunda vez veio a Londrina. Marlon "Chucruts", que integra a companhia ao lado de Egdarg Jamelão, conta que eles nunca se separam da mala invisível. "A gente tem a mala-invisível, a mala-bola, mala-tecido, mala-livro e a mala-treco. Com estas malas nós contamos histórias".


A tarde foi de muita diversão no Vista Bela

PROGRAMAÇÃO

O ECOH segue com apresentações até o próximo sábado (10). Uma oficina com Flávia Wolfffowitz sobre contação de histórias também vai ser realizada na Vila Triolé Cultural (R. Etiene Lenoir,155, Parque Industrial). Segundo a organizadora Claudia Silva, o Encontro contabilizou na última edição, em 2016, 5,3 mil espectadores. O evento vem sendo realizado normalmente em agosto mas, por conta do cancelamento do edital do PROMIC no ano passado, ficou para o final de fevereiro e início de março deste ano. A edição de 2018 já está com a comissão de avaliação de projetos. "A gente está trabalhando com algo muito sério, apesar de muita gente achar que não, que é a questão da imaginação. A Josiane Geroldi começou um espetáculo dizendo algo que achei muito bonito: os olhos veem, a memória revê e a imaginação transvê", divaga a organizadora. (V.S.)


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