Operação conjunta entre PRF (Polícia Rodoviária Federal), PM (Polícia Militar) e o Exército Brasileiro liberou pontos de bloqueio de caminhoneiros na região de Londrina na manhã de quarta-feira (30). O trânsito ficou impedido durante a operação, mas gradativamente voltou ao normal, após a retirada de caminhões dos acostamentos. Os manifestantes foram orientados a deixar o acostamento sob risco de serem multados. No bloqueio da BR-369, em frente à Granosul, caminhoneiros realizaram assembleia e decidiram encerrar a manifestação logo após a chegada de uma equipe do Exército. Muitos deles mostraram-se emocionados com a perspectiva de voltar para casa. A saída dos grevistas foi pacífica.
Nos dois pontos de bloqueio da PR-445, próximos aos postos Cupim e Formigão, a Polícia Militar, com apoio da Tropa de Choque, fez a retirada dos caminhões da pista. Durante a operação, muitos caminhoneiros decidiram encerrar a manifestação e seguir viagem, mas grande parte preferiu continuar parada. Houve momentos de tensão por causa da presença de pessoas supostamente "infiltradas" que ofenderam a polícia e também jornalistas presentes. Representantes dos caminhoneiros, porém, pediram apoio da PM para encerrar a confusão. Manifestantes do posto Cupim informaram que estavam servindo de 300 a 350 refeições no almoço e na janta, indicando o número de pessoas que permaneceriam paradas no local. (Carolina Avansini e Rafael Fantin/Grupo Folha)
DIÁLOGO
Segundo o inspetor chefe da PRF na região de Londrina, Marcos Pierre, os veículos de carga foram liberados e a desocupação das rodovias ocorreu de forma pacífica. "Muitos estavam ansiosos para continuar viagem, mas afirmavam que não tinha segurança para deixar os locais. Os caminhoneiros que quiserem seguir na manifestação podem optar por isso, mas não devem bloquear a pista e os veículos de cargas", afirmou. A PRF pode até multar os caminhoneiros, mas Pierre ressalta que a medida não foi utilizada e a saída das rodovias federais ocorreu por meio do diálogo. O inspetor-chefe da PRF revelou que há três dias o setor de inteligência monitora a presença de grupos infiltrados no movimento dos caminhoneiros, o que teria aumentado a radicalização dos protestos com atos de violência e o bloqueio de cargas essenciais, como remédios, animais, ração e de gás de cozinha. (C.A. e R.F.)
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‘PATRIOTAS’
O motorista Fábio de Rosa foi orientado pelo patrão a deixar o bloqueio na PR-445 e seguir viagem assim que a polícia liberou a passagem, mas não conseguiu. "Sai daqui e fui barrado pela própria PM, que me orientou a entrar por Cambé, mas minha carreta é grande e não consegui. Por isso tive que voltar para o posto Cupim", relatou ele, que esperava informações da polícia para tentar novamente seguir viagem. "Estamos com ordem da polícia para sair, mas não temos como seguir viagem por causa de confrontos. O que a gente precisa é de informações", disse.
Já o caminhoneiro Pedro Eloir disse que não iria sair do bloqueio no Cupinzão e reclamou de falta de diálogo com a polícia. "Estão nos ameaçando com multas, esperava que todos fossem mais patriotas. Se eu não parar aqui, paro em outro lugar. Ninguém vai me obrigar a trabalhar para esse governo corrupto, queremos que esse governo caia", pediu. (C.A. e R.F.)