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Poço artesiano ‘vira’ fossa

07 ago 2014 às 08:25
Os moradores do Patrimônio Caramuru, na Zona Rural de Cambé, se negam a tomar a água que sai do poço artesiano central, responsável pelo abastecimento de pelo menos 15 famílias (aproximadamente 80 pessoas). A comunidade justifica que o reservatório foi contaminado por coliformes fecais (bactérias presentes em fezes humanas). Até o lençol freático na região foi poluído.
Os moradores ouvidos pelo NOSSODIA não quiseram se identificar, pois preferem evitar desentendimentos com a suposta responsável pela contaminação. "Antigamente, todos os terrenos do patrimônio tinham poços, de onde a gente tirava água para beber. Mas com a construção do poço artesiano central, há uns 20 anos, todos eles tiveram que ser aterrados", contou um morador. Ele disse, porém, que uma moradora acabou transformando o seu poço numa fossa, o que teria resultado na contaminação da água. "A saída da Prefeitura foi fazer um tratamento com cloro no local. Mesmo assim ninguém tem coragem de beber essa água", admitiu.
Outro morador do distrito disse que para complicar a situação, a fossa fica no quintal de uma moradora "que é uma pessoa difícil e não aceita que chegamos nem perto do local". Segundo a Prefeitura, porém, a origem exata da contaminação ainda não foi detectada.
O medo de consumir a água do poço está forçando os moradores a buscar o produto em Londrina e em locais afastados do patrimônio. "Eu mesmo não tenho mais coragem de bebê-la. Peço para meu filho trazer de longe pra gente. Só uso esta água para lavar a louça e a calçada", afirmou uma moradora. "Muitos chegam a trazer água do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), em Londrina", acrescentou. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)

Contaminação comprovada
O chefe da Vigilância Sanitária e Ambiental de Cambé, Maurício Gomes Rocha Neto, confirmou que exames apontaram a contaminação da água por coliformes fecais. "A partir do programa (Federal) Vigiágua, monitoramos a situação no Patrimônio Caramuru. Colhemos amostras do poço central e realmente foi comprovada a contaminação", explicou Maurício, reforçando que o lençol freático na região também foi atingido.
Segundo ele, a Prefeitura contratou uma empresa especializada para fazer o processo de remoção dos microrganismos do poço. "Esse trabalho teve um resultado satisfatório. Uma analise da UEL (Universidade Estadual de Londrina) apontou que o nível de descontaminação exigido foi atingido", afirmou.
Maurício destacou que o Município notificou as famílias do patrimônio que possuíam poços e que quase todos eles foram desativados. "Porém, essa mulher não seguiu a recomendação. Mesmo assim, não podemos afirmar que ela está causando todo o problema", ressaltou. O chefe da Vigilância Sanitária acrescentou que, na última semana, foi até o Patrimônio vistoriar o local e que ainda está analisando o caso. (P.M.)

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