O torcedor corintiano foi ao Estádio Itaquerão, em São Paulo, sem grandes pretensões. Queria só fazer festa e levantar a taça de campeão brasileiro. A festa, no entanto, acabou virando baile em cima do São Paulo. Mesmo com um time cheio de reservas, o Corinthians humilhou o rival e goleou por 6 a 1, pela 36ª rodada. Foi a maior vitória da equipe na história do clássico - nunca havia feito seis gols em cima da equipe tricolor.
Foi um show alvinegro. A equipe liquidou a partida antes do intervalo. Com apenas 30 minutos, a torcida já gritava "olé" a cada toque na bola. No segundo tempo, os gritos foram de "nosso freguês voltou". Envergonhados, os torcedores do São Paulo pediram para a Polícia Militar liberar a saída do estádio no início do segundo tempo. Como a autorização da PM só saiu aos 35 minutos, foram obrigados a assistir ao massacre da equipe. Com 56 pontos, o time tricolor segue no G4 porque o Santos perdeu de 1 a 0 do Coritiba no Couto Pereira.
O técnico Tite resolveu dar descanso para oito titulares. Apenas Cássio, Felipe e Ralf começaram jogando. Mesmo assim, os reservas conseguiram manter o padrão que levou o time ao título. Com o triunfo deste domingo, o Corinthians chegou aos 80 pontos e igualou a marca do Cruzeiro de 2014, dono da melhor campanha dos pontos corridos desde 2006, quando o campeonato passou a ser disputado por 20 equipes. Restando duas rodadas para o fim do Brasileirão, o time pode chegar a 86 e aumentar o recorde.
O show corintiano começou aos 26 minutos. Felipe cabeceou no canto direito e, no rebote de Denis, Bruno Henrique completou para o gol. Dois minutos depois, Romero aproveitou cobrança de escanteio e cabeceou sem chance para o goleiro são-paulino. Antes do intervalo, aos 44, Edu Dracena fez o terceiro após cruzamento de Danilo.
O baile continuou no segundo tempo. Aos 15 minutos, Romero fez linda jogada, passou para Bruno Henrique, que rolou para Danilo. O meia deu belo toque letra para Lucca bater na saída o goleiro. Desnorteado, o São Paulo levou o quinto gol três minutos depois. Hudson desviou o toque de Romero e fez contra.
A equipe tricolor ainda diminuiu com Carlinhos, a reação não passou de um lance isolado. Aos 30 minutos, Cristian fez o sexto de pênalti. Para a festa ficar completa, faltava Cássio brilhar. E o goleiro defendeu pênalti de Alan Kardec aos 34. A torcida comemorou como se fosse um gol e gritou "é campeão" mais forte.
O presidente Roberto de Andrade roubou a cena na comemoração do hexacampeonato brasileiro do Corinthians. Além de erguer a taça antes dos jogadores, ele provocou o São Paulo. "Seis foi pouco. O São Paulo merece oito", disse. Quem também chamou atenção na festa do título foi o ex-jogador Ronaldo. O Fenômeno estava acompanhando o jogo em um dos camarotes do estádio. Quando a sua imagem apareceu no telão, ele teve o seu nome gritado pela torcida. Depois, desceu para o gramado e participou da entrega da taça. "Sou corintiano, tenho de comemorar também. Um resultado tão expressivo contra um rival como o São Paulo é mais bonito. Eu me sinto parte do bando porque comecei essa revolução, essa mudança de status do Corinthians", disse Ronaldo, que jogou no Corinthians de 2009 a 2011. Depois de Ralf erguer o troféu, a taça passou pelas mãos de todos os jogadores enquanto atletas, dirigentes e integrantes da comissão técnica corriam em volta do gramado. Tite foi o mais festejado. Por duas vezes o estádio gritou em coro "olê, olê, olê, olê! Tite, Tite". A Fiel quebrou neste domingo novo recorde de público no Itaquerão, com 44.976 pagantes.