O aparecimento de formigas gigantes vem chamando a atenção em regiões de Londrina. Conhecidas como saúva, cortadeira, tanajura (iça), elas estão por toda a parte: em quintais, produção de hortaliças, nas ruas. Segundo o professor de agronomia e controles de pragas da UEL, trata-se de uma revoada dos insetos, que ocorre uma vez por ano, após o aquecimento do solo e a chegada das fortes chuvas. Fenômeno típico da primavera.
Elas chamam a atenção pelo tamanho, que pode variar entre 1,5 e 24 milímetros. Por causa disso, causam temor. Muitas pessoas acreditam equivocadamente, que sejam venenosas. No entanto, apesar de não possuir ferrão, uma picada dela pode ser dolorida. Porém não há a necessidade de alarde. De acordo com o professor de agronomia e controle de pragas da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Amarildo Pasini, 90% das que chegam ao município morrem rapidamente. "Elas servem de alimentos e possuem muitos predadores, como pássaros, sapos, besouros e até formigas carnívoras. Não sobrevivem pelo próprio processo da cadeia alimentar, além de sofrer na cidade com a desidratação", comenta o professor. Por outro lado, destaca Pasini, em ambientes mais favoráveis, as rainhas podem sobreviver entre 10 e 20 anos. Elas também cortam folhas para levar aos ninhos.

Os ninhos das formigas gigantes são cabulosos
A espécie ainda serve como alimento e é consumida principalmente pelos índios brasileiros. Além de outras comunidades espalhadas pelo país, como as localizadas no nordeste, e em outros países da América do Sul. A mais consumida é a saúva rainha (içá ou tanajura), onde também é servida em restaurantes e comercializadas em mercados públicos como iguarias. "Isso porque possuem abdômen muito rico em proteínas", complementa Pasini. (P.M.)
Apesar de não oferecer perigo aos humanos, a comunidade rural vê na formiga saúva uma inimiga. É o caso dos agricultores do sítio Esmeralda, na zona rural de Londrina, que lutam contra o inseto para não ter a plantação de hortaliças, verduras, frutas destruídas. O agricultor Natanael Benício disse que parte da plantação já foi perdida após ser atacada pelas formigas. "Elas só não gostam de alface, que não dá fungo. Mas atacam o resto que plantamos, como brócolis, almeirão, quiabo, repolho, entre outros", lamenta o produtor rural. A proprietária do sítio, Esmeralda Benício, disse que as formigas saúvas não se limitam aos alimentos "rasteiros". Segundo ela, os pés de frutas também sofrem nesta época do ano com a chegada do grupo de formigas. "Por causa do ataque delas às folhas, os pés também acabam morrendo. O pé de jabuticaba, por exemplo, já está sem folhas. Enquanto que o pé de manga já começa a morrer", mostra ela a situação, apontando ainda os ninhos que tomaram conta do sítio. Os trabalhadores rurais buscam alternativas para amenizar o problema. "Elas chegam com tudo nesta época do ano. Trabalharam de noite e de dia. Colocamos formicida nos ‘trilhos’ delas, que deveria ser levado para os formigueiros (ninhos) e atingir o restante das formigas, mas o veneno quase não faz efeito", comenta Benedito Garcia. (P.M.)