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PERDIDO NA NOITE - Sem casa e sem cobertor

Paulo Monteiro
NOSSODIA
19 mai 2015 às 14:35

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Com certeza, a situação do senhor Sidney Soares Farias vai ficar ainda mais delicada nas próximas semanas, quando temperaturas extremamente baixas tomarão Londrina. Apesar da aparência de uma pessoa de mais idade, ele tem apenas 48 anos. Sidney contou estar vivendo os seus maiores pesadelos na rua, onde passou a viver após se desentender com a esposa.
Apesar do desconforto das ruas e calçadas geladas da cidade, garante que se adaptou a realidade longe de casa. "Eu levei cobertores e roupas. Até que não tive muitos problemas no começo", comenta ele.
No entanto, o caso começou a ficar embaçado há algumas semanas. Enquanto dormia no seu lugar de costume, nas proximidades do Terminal Rodoviário de Londrina, foi surpreendido por delinquentes numa dessas noites frias de outono. "Me roubaram a mochila, com todas as roupas e as minhas cobertas. Só fiquei com esta roupa do corpo. Ainda por cima, me bateram bastante", relembra o morador de rua.
"Apanhei sem saber o motivo. Não tenho inimigos e não mexo com ninguém. Quem me conhece sabe", afirma. Após a surra, ficaram as marcas no corpo e o trauma na memória. "Hoje não consigo mais erguer meu braço direito. Minhas pernas também doem bastante, viu", ressalta Sidney, que atualmente usa um pedaço de madeira para auxiliar sua locomoção. "Hoje, por medo, fico mais acordado do que dormindo durante a madrugada", ressalta o homem.
Segundo ele, para não passar fome, pede alimentos em moradias no Centro da cidade. "As vezes, também vou até o Casa do Bom Samaritano e de vez em quando até consigo dormir lá." Apesar da situação, Sidney dispensa lamentações. Pelo contrário, está sempre disposto a um bom papo. "Não adianta ficar chorando mais, né... o negócio é sorrir."

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A despedida
Sidney relata que passou a morar nas ruas e calçadas após se desentender com a esposa. "Foi cada um para um lado. Morávamos no Jardim Saltinho (zona sul de Londrina). Tenho três filhos, mas não os vejo desde o ano passado", acrescenta.
Ele destaca que sempre trabalhou como ajudante de pedreiro e que, apesar da situação, ainda presta alguns serviços pela cidade. "Trabalho para conseguir comida. Mas também para tomar pinga. Este é meu único vício", admite. "Graças a Deus, não mexo com mais (drogas) nada", explica ele, afirmando que é muito difícil "viver olhando pra lua" sem se entorpecer.
Sidney conta que está aberto a qualquer tipo de ajuda. Quem se interessar a oferecer trabalho ou colaborar lhe dando alimentos, agasalhos ou cobertores, pode achá-lo nos arredores do Terminal Rodoviário de Londrina. (P.M.)

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