O que era especulação virou oficial. O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva é o novo ministro da Casa Civil. A posse de Lula só deve ocorrer na próxima terça-feira. Jaques Wagner deixará a pasta e assumirá a chefia do gabinete pessoal da presidente Dilma Rousseff. Este cargo era ocupado por Álvaro Henrique Baggio.
A ida de Lula para o Planalto é uma estratégia dele para ganhar foro privilegiado, saindo assim da alçada do juiz federal Sérgio Moro. Jaques Wagner, com o status de ministro, permanecerá com foro privilegiado que já tinha como titular da Casa Civil.
A entrada de Lula no governo tem por objetivo também recompor o PMDB, que está rebelado e ameaça desembarcar da base aliada, como já anunciou o PMDB de Santa Catarina.
O deputado peemedebista Mauro Ribeiro Lopes (MG) assumirá o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil. Ele finalmente chega ao governo após uma longa negociação com a presidente e com membros do partido, desafiando a moção aprovada pelo PMDB no último sábado, que impedia que membros do partido assumissem cargos no governo pelos próximos 30 dias.
O acordo pela sua nomeação foi feito pelo Planalto em troca do apoio da bancada do PMDB de Minas Gerais à recondução de Leonardo Picciani, aliado de Dilma, à liderança do partido na Câmara. As conversas começaram ainda no fim do ano passado. A posse de Lopes deve ocorrer amanhã.
A presidente Dilma Rousseff defendeu a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o seu governo, assumindo a Casa Civil e disse que não se sente "nem um pouco desconfortável" com a presença dele no Palácio do Planalto "A vinda de Lula fortalece o meu governo e tem gente que não o quer fortalecido", desabafou a presidente, ao dizer que ele "vai ser um grande ganho" para o seu governo porque "Lula vem com capital político de hábil articulador". "O presidente Lula, no meu governo, terá os poderes necessários para me ajudar", afirmou.
"Tem seis anos que vocês tentam me separar do Lula. A minha relação com Lula não é relação de poder ou superpoderes. É uma sólida relação de quem constrói um projeto".
Questionada se não havia constrangimento de Lula, que está sendo investigado, integrar seu governo, Dilma disse que não, porque existe "um princípio da ficha limpa". Em seguida, a presidente classificou os termos das investigações que estão sendo realizadas como "são muito estranhos". Pela primeira vez, a presidente Dilma entrou no mérito das acusações que estão sendo feitas a Lula, sobre suas propriedades.
Dilma criticou as afirmações de que Lula estaria vindo para o governo para se livrar do juiz federal do Paraná, Sérgio Moro, e questionou se quem diz isso estaria suspeitando do Supremo Tribunal Federal. "Achar que investigação de Moro é melhor que investigação do Supremo é inversão de hierarquia", declarou. Sobre a possibilidade de Lula no governo ajudar a afastar o impeachment, a presidente desconversou.
O juiz Sérgio Moro retirou nesta quarta-feira o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E entre as conversas gravadas pela Polícia Federal aparece o diálogo com a presidente Dilma Rousseff, na quarta, que o nomeou como ministro chefe da Casa Civil.
"Pelo teor dos diálogos degravados, constata-se que o ex-Presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos", escreveu Moro em seu despacho.
- Dilma: Alô
- Lula: Alô
- Dilma: Lula, deixa eu te falar uma coisa.
- Lula: Fala, querida. Ahn
- Dilma: Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!
- Lula: Uhum. Tá bom, tá bom.
- Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
- Lula: Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.
- Dilma: Tá?!
- Lula: Tá bom.
- Dilma: Tchau.
- Lula: Tchau, querida.