O cenário atual é de guerra e em nada lembra o espaço de décadas atrás, palco de muita alegria. Principalmente nesta época do ano, quando o calor estimulava milhares de sócios do Tubarão a se deslocarem até a sede campestre do Londrina Esporte Clube, localizada no Jardim Ibirapuera, Zona Oeste de Londrina. O sonho acabou em 2009, quando os portões foram fechados. Inaugurada na década de 1970, o espaço contava com cerca de 100 mil m² e oferecia piscinas, entre elas uma olímpica, salão de festas, dois campos de futebol suíço, quadra poliesportiva, 10 churrasqueiras com mesas. Até a terraplenagem de um futuro estádio chegou a ser iniciada.
Hoje, o espaço da antiga sede campestre está abandonado. O estado é de depredação e as janelas, fios elétricos, torneiras foram retirados. As paredes em ruínas escondem mocós e o teto está prestes a cair. Há embalagens de alimentos em meio a muito mato. Além de restos de cigarro, até cápsulas de pistolas são encontradas no local.
Pintado em uma das paredes, o grande simbolo do Londrina Esporte Clube, acompanhado de um tubarãozinho, já começa a ser escondido pela vegetação. As piscinas estão transbordando de água suja. Há também outros espaços com água parada. Habitat perfeito para o desenvolvimento do mosquito da dengue.
O administrador do estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), Edson Henrique Santos, foi gerente da sede entre 1989 e 1994 e viveu os tempos áureos do espaço. "Chegamos a ter mais de 20 funcionários para atender o grande público. Quando chegava o fim de semana, eu tinha que contratar de 30 a 40 seguranças para cuidar do pessoal. Atendíamos uma média de cinco mil pessoas aos domingos", relembra ele. Alegria que durou quase cinco décadas.
"O movimento começou a diminuir nos últimos anos e os funcionários do clube venderam muitos títulos remidos. Foi quando tudo começou a afundar", relata. "As pessoas que compravam e ficavam isentas de qualquer ônus, de forma vitalícia, pagando apenas a manutenção do clube", explica ele.
"Manutenção que já não vinha sendo feita como era necessária. Fizemos uma recontagem dos títulos e descobrimos que haviam um total de 10 mil títulos. Fizemos um rastreamento e descobrimos que apenas quatro mil estavam em dia com o clube. Mesmo assim, não era o bastante para manter a sede aberta e as portas se fecharam em 2009", relembra Santos. "Hoje sinto muita saudade e até indignação com o fim dela e também pelo que se tornou aquele lugar."
Vendida em leilão por R$ 1,7 mi
A sede campestre do LEC fechou suas portas, mas centenas de ex-funcionários entraram com processos cobrando dívidas trabalhistas contra o clube. Para ficar em dia com a justiça, o terreno foi a leilão em 2010. O NOSSODIA consultou a 6° Vara Trabalhista de Londrina, que informou que foram realizados dois leilões inciais, sem êxito, além de uma venda direta, que também não obteve resultado. Somente no terceiro leilão é que o espaço foi arrematado pela Nova Casa Empreendimentos Ltda, de Santa Catarina, que ficou com 90 mil m². O valor do arremate, R$ 1,710 milhão, estava abaixo dos débitos do LEC, que superavam o da negociação: R$ 6,3 milhões.
De acordo com a 6ª Vara Trabalhista, com o preço exato da transação, os ex-funcionários receberam cerca de 26% da quantia exigida, menos de um terço do valor inicial, após um acordo judicial. Ainda em 2010, antes mesmo do primeiro leilão, um oficial de justiça foi até o local e já havia registrado as péssimas condições para a penhora do terreno. Ainda segundo a 6ª Vara de Trabalhista, as primeiras ações dos ex-funcionários do LEC foram registradas em 1988. Cerca de 170 pessoas entraram na justiça contra o clube. Atualmente há apenas quatro processos em andamento. (P.M.)
A sede campestre do LEC fechou suas portas, mas centenas de ex-funcionários entraram com processos cobrando dívidas trabalhistas contra o clube. Para ficar em dia com a justiça, o terreno foi a leilão em 2010. O NOSSODIA consultou a 6° Vara Trabalhista de Londrina, que informou que foram realizados dois leilões inciais, sem êxito, além de uma venda direta, que também não obteve resultado. Somente no terceiro leilão é que o espaço foi arrematado pela Nova Casa Empreendimentos Ltda, de Santa Catarina, que ficou com 90 mil m². O valor do arremate, R$ 1,710 milhão, estava abaixo dos débitos do LEC, que superavam o da negociação: R$ 6,3 milhões.
De acordo com a 6ª Vara Trabalhista, com o preço exato da transação, os ex-funcionários receberam cerca de 26% da quantia exigida, menos de um terço do valor inicial, após um acordo judicial. Ainda em 2010, antes mesmo do primeiro leilão, um oficial de justiça foi até o local e já havia registrado as péssimas condições para a penhora do terreno. Ainda segundo a 6ª Vara de Trabalhista, as primeiras ações dos ex-funcionários do LEC foram registradas em 1988. Cerca de 170 pessoas entraram na justiça contra o clube. Atualmente há apenas quatro processos em andamento. (P.M.)
‘Empreendimento esbarra em licenças’
O NOSSODIA ouviu também José Carlos Vital, proprietário da Nova Casa Empreendimentos Ltda. Ele adiantou que encontra dificuldades para iniciar qualquer projeto no local e que até o momento só teve prejuízos desde que o adquiriu. "Nosso empreendimento esbarra em licenças de órgãos ambientais de Londrina: IAP (Instituto Ambiental do Paraná), Sema (Secretaria Municipal do Ambiente), além de exigências do Ministério Público. Quando concluímos uma etapa, aparece outra. Exigem que limpamos esta área. Estamos passando a vida toda limpando mas nada é decidido. Falta bom senso das autoridades. Vontade nossa existe, pagamos R$ 100 mil por ano só de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). O total dos pagamentos já soma um terço do valor da área", explica ele, adiantando que não desistiu do espaço.
"Parte do terreno foi repassado para a Prefeitura de Londrina, pois é área de preservação ambiental. Nos resta apenas 27 mil m². O objetivo é dividir a área em lotes residenciais e construir um condomínio", afirma. Vital explica que nos últimos anos não faltaram ofertas pela antiga sede do LEC. "Já apareceram interessados em comprar o terreno, mas pra gente é desinteressante devido ao alto gasto que já tivemos com impostos", observa ele. (P.M.)
O NOSSODIA ouviu também José Carlos Vital, proprietário da Nova Casa Empreendimentos Ltda. Ele adiantou que encontra dificuldades para iniciar qualquer projeto no local e que até o momento só teve prejuízos desde que o adquiriu. "Nosso empreendimento esbarra em licenças de órgãos ambientais de Londrina: IAP (Instituto Ambiental do Paraná), Sema (Secretaria Municipal do Ambiente), além de exigências do Ministério Público. Quando concluímos uma etapa, aparece outra. Exigem que limpamos esta área. Estamos passando a vida toda limpando mas nada é decidido. Falta bom senso das autoridades. Vontade nossa existe, pagamos R$ 100 mil por ano só de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). O total dos pagamentos já soma um terço do valor da área", explica ele, adiantando que não desistiu do espaço.
"Parte do terreno foi repassado para a Prefeitura de Londrina, pois é área de preservação ambiental. Nos resta apenas 27 mil m². O objetivo é dividir a área em lotes residenciais e construir um condomínio", afirma. Vital explica que nos últimos anos não faltaram ofertas pela antiga sede do LEC. "Já apareceram interessados em comprar o terreno, mas pra gente é desinteressante devido ao alto gasto que já tivemos com impostos", observa ele. (P.M.)
Invasoes constantes e área de risco
Mas não são apenas os prejuízos e a dificuldade em conseguir a liberação para construir. O empresário José Carlos Vital ainda tem que se preocupar com as invasões constantes do local e com os riscos de acidentes. "Sabemos dos riscos. Inclusive, mais de uma vez fechamos a entrada do terreno com barreiras, porém as pessoas continuam derrubando elas. O espaço é frequentado também por adultos. Recebi informações que pessoas circulam com motocicletas em seu interior", conta Vital, que pretende tomar providências.
Entre elas, limpar as piscinas antigas do espaço. "Já limpamos aquelas piscinas. Porém, até para fazer isso é complicado, pois precisamos de licença até para despejar a água retirada delas. Para esvaziá-las totalmente, por exemplo, levamos oito dias com um motor movido a óleo. O problema é que passou dois dias e elas já estavam novamente cheias por causa das chuvas", conclui o empresário. (P.M.)
Mas não são apenas os prejuízos e a dificuldade em conseguir a liberação para construir. O empresário José Carlos Vital ainda tem que se preocupar com as invasões constantes do local e com os riscos de acidentes. "Sabemos dos riscos. Inclusive, mais de uma vez fechamos a entrada do terreno com barreiras, porém as pessoas continuam derrubando elas. O espaço é frequentado também por adultos. Recebi informações que pessoas circulam com motocicletas em seu interior", conta Vital, que pretende tomar providências.
Entre elas, limpar as piscinas antigas do espaço. "Já limpamos aquelas piscinas. Porém, até para fazer isso é complicado, pois precisamos de licença até para despejar a água retirada delas. Para esvaziá-las totalmente, por exemplo, levamos oito dias com um motor movido a óleo. O problema é que passou dois dias e elas já estavam novamente cheias por causa das chuvas", conclui o empresário. (P.M.)