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Páscoa - Uma reflexão sobre o consumo

12 abr 2017 às 21:23

Quando a cabeleireira Rita Guimarães propôs à filha de sete anos que comprasse seus ovos de Páscoa, a ideia foi compartilhada de bate-pronto. De forma lúdica, Rita lançou até uma campanha: "Compre você mesma seu ovo de Páscoa". Mais que motivada a conseguir os ovos de chocolate com o próprio esforço, a filha foi a campo com a ajuda da mãe. "Montamos uma lojinha de suculentas no salão em que trabalho. Os vasos de barro são de reaproveitamento, a caixa usada para expor as plantas também e o quadro se sinalização eu encontrei jogado no lixo. A Sarah é criativa, ela me observa cuidar das clientes e as desenha. Depois oferece a elas, que se surpreendem e fazem questão de pagar pela arte e valorizaram o seu olhar". Rita considera que essa seja uma maneira de conscientizar a criança sobre o valor do trabalho, do dinheiro e sobre o consumo consciente. Para deixar a experiência ainda mais exemplar, Sarah teve outra inciativa: "Também comprei um ovo para meu irmãozinho Isaac, de dois anos." A estudante do 2º ano do Ensino Fundamental gosta muito de plantas e, para ela, a atividade foi divertida, pois gosta de se comunicar. Na escola, entrega que sua disciplina favorita é Matemática. E estende o carinho à professora Lidiane. "Trabalhar é legal e vou juntar dinheiro para comprar uma almofada que gosto muito, aquela de Smile", sorri. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)


Walkiria Vieira

Daiana não vai conseguir comprar os ovos nesta Páscoa: "esse mês eu não posso gastar"


Economista valoriza atitude
De acordo com o economista e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFR), Marcos Rambalducci, há vários aspectos relevantes a serem destacados nesse caso e que podem servir de referência para outras famílias. "Esta é uma maneira de promover a disciplina financeira; estimular o empreendedorismo e também direcionar para os estudos - porque sai da teoria da sala de aula e faz ver como é a Matemática na prática da negociação". O professor considera que só há pontos positivos na ação promovida pela mãe. "Os pais não devem duvidar da capacidade que os filhos possuem de entender a situação econômica da família e se adaptar a ela. A falta de disciplina é um mal que afeta muitas famílias e o dinheiro, assim como o trabalho, devem ser colocados em discussão desde a primeira infância. Dessa maneira, cria-se uma cultura para que filhos aprendam a não gastar mais do que recebem e saibam dimensionar o valor do dinheiro e do trabalho", reforça. "Se as condições não permitem excessos, a família pode se unir em torno da mesa, pintar ovos e, juntos, compartilhar uma caixa de bombons e a união em família", sugere.

Páscoa e as realidades econômicas
A festa de Páscoa do Jardim União da Vitória deverá atender aos anseios dos filhos da zeladora Daiana de Souza, 34 anos, moradora do bairro da zona Sul. "Todos querem chocolate, até eu. Até porque, só conheci a Páscoa adulta. Mas esse ano a situação está difícil mesmo. Nem os baratinhos vão pra casa", afirma ao olhar opções de bombons a partir de R$ 4. A estudante de Direito Tatiane Santos, 18 anos, disse que na sua casa a espera por ovos e chocolate é tradição. "Minha avó disse que vai comprar, sim. Fica chateada se não der", explica. Já a moradora do jardim Cafezal, Keiti Naiara Soares Silva, 23 anos, considera que a data comercial supera os reais valores da data. "Esqueceram do Renascimento e eu procuro mostrar para o meu filho Enzo, de três anos, que Páscoa é mais que chocolate. Até porque, a situação da economia é complicada, tem muito apelo na televisão, no próprio comércio e é preciso não se render a tudo o que aparece", pensa. "Eu me lembro que meus pais presenteavam os cinco filhos com ovos dos bons. Isso não é mais possível, mas talvez uma oportunidade para pensar", considera. (W.V.)


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