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#partiucruzeiro - Trampo em alto mar

Micaela Orikasa
Grupo Folha
08 out 2015 às 09:30

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Anderson Coelho
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"Uma experiência incrível", responde Jaqueline Proença de Oliveira, de 27 anos, quando questionada sobre a expectativa de embarcar em breve em um cruzeiro marítimo. Ao contrário de muitos turistas, Jaqueline não vai a passeio, mas a trabalho. Ela é uma entre milhares de brasileiros que estão de olho nas oportunidades de emprego em alto-mar.
E o momento é oportuno, pois a temporada 2015/2016 começará em novembro e contará com dez navios no litoral do País até maio do ano que vem, segundo a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos - Clia Abremar Brasil.
Pela legislação nacional de cabotagem, o Ministério do Trabalho determina que os navios que permaneçam mais de 45 dias na costa brasileira, preencham um mínimo de 25% de suas vagas com tripulação local.
E a previsão é de que sejam geradas, até o fim do ano, mais de 2.300 oportunidades para os brasileiros, como a de Jaqueline, que só está aguardando a última documentação para estar a bordo de um navio, onde permanecerá durante oito meses.
Ela ainda não sabe o roteiro, pois essa informação é divulgada juntamente com a data para embarque, que segundo ela, deve acontecer nas próximas semanas. Jaqueline é formada em Comunicação Social, mas atuará no departamento de restaurante, como assistente de garçom.
De acordo com Luiz Trindade, sócio-diretor da Portside, agência de recrutamento para cruzeiros marítimos, as vagas mais disponibilizadas pelas operadoras são no setor de restaurante e housekeeping (governança), justamente por serem grandes departamentos.
"Anualmente, abrimos cerca de 800 vagas, mas nem sempre são 100% preenchidas, pois ainda há uma grande dificuldade por parte dos candidatos na fluência do inglês, que é um requisito prioritário", explica.

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Trabalho e turismo
Luiz Trindade, da Agência Portside, explica que os navios costumam navegar à noite e param durante o dia, onde o tripulante que estiver em horário de folga, pode descer para conhecer o destino.
Trindade foi tripulante durante seis anos e compartilha da mesma ideia de Rias, de que as vantagens se sobressaem ao trabalho pesado. "É uma experiência para a vida toda e não só para o currículo. A cada ano mais pessoas têm procurado essas vagas porque é uma forma de agregar oportunidades com o trabalho. E com essa alta do dólar, o salário também tem sido um grande atrativo", afirma.
Ainda de acordo com ele, o salário pode variar entre US$ 600 e US$ 1,8 mil, dependendo do cargo. Considerando a cotação do dólar que vem flutuando em média no valor de R$ 4, os vencimentos podem girar entre R$ 2,4 mil e R$ 7,2 mil. "Essa é uma base com relação às vagas que trabalhamos, mas vale ressaltar que existe a possibilidade de crescimento dentro do navio, ou seja, evoluir para cargos que tenham maior remuneração", conclui. (M.O.)

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