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Parque abandonado e ponte quebrada são realidade

05 ago 2018 às 20:57


Um cemitério de brinquedos. Essa é a melhor definição para o parque localizado no Lago Igapó 4. O local está abandonado há anos e os brinquedos, todos quebrados, sofrem com a ação do tempo: a gangorra e o balanço sem assento, passando pela escada inclinada sem degrau até a ponte capenga: está tudo detonado. A passarela de macaco está jogada ao lado de uma árvore. Não salva nada.
Vendedora de caldo de cana em frente ao local, Rosângela Aparecida é curta e grossa. "Há sete anos está assim. O povo desanima porque não tem nada para o lazer das crianças por aqui". O movimento de pessoas, segundo ela, caiu de forma considerável. "Alguns ainda vêm, para fazer piquenique. Mas olha esse espaço aqui. Não poderia ser mais utilizado? Academias ao ar livre, novos brinquedos no parque...mas ninguém faz nada", acrescentou.
O que também chama a atenção – e não é pelo lado bom - é que a ponte de madeira continua jogada no chão. Ela fazia a ligação da rua Juiz de Fora com a avenida Presidente Castelo Branco através do parque. Agora, quem precisa chegar até à avenida para pegar ônibus, por exemplo, tem que dar a volta no entorno do lago. "Quantas vezes perdi o ônibus. Já tenho 80 anos. As minhas pernas não aguentam mais", desabafou a aposentada Leni dos Santos Marcelino. Da sua casa até o ponto de ônibus citado são 800 metros.

"É até perigoso largar desse jeito. Poderiam melhorar a infraestrutura e valorizar a nossa cidade. O mato está cortado, mas é o mínimo que podem fazer", disse o advogado Mario Lucio de Souza. Ele contou que foi criado um abaixo-assinado pedindo melhorias em fevereiro de 2014, ainda na gestão Kireeff, que caiu no esquecimento. O documento foi protocolado novamente, em janeiro de 2017, na gestão Belinati, e parece que vai continuar na mesma. "Do primeiro abaixo assinado, já fez quatro anos. Esse de agora, completou um ano e meio. Daqui a pouco completa mais quatro (anos)", lamentou.
No dia 14 de setembro de 2017, o NOSSODIA já havia denunciado a situação do local. Na época, moradores informaram que a ponte, inaugurada na gestão Barbosa Neto, ficou de pé por apenas oito dias e era uma obra muito esperada pela população. Na época, a resposta do Núcleo de Comunicação da Prefeitura informou que um TAC estava sendo formalizado junto à Promotoria de Meio Ambiente e que não havia prazo para ser finalizado nem a previsão de custos da obra.



A ponte virou "enfeite" na grama

Quase um ano depois, a história continua a mesma. Procurado pela reportagem, o Secretário de Obras, João Verçosa, afirmou que a ponte do Lago 4, assim como a ponte do aterro, que está interditada há quase um ano, e as demais pontes de madeira do Lago Igapó, aguardam um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para serem reformadas. A ação se deu pela empresa que construiu o heliponto do Hospital do Coração em uma altura diferente do projeto que consta na Prefeitura.
"O normal seria mandar demolir (o heliponto), mas é um instrumento de interesse social. Com isso, encontramos a solução do TAC", disse Verçosa. O documento, segundo ele, está em fase de elaboração. "A reforma das pontes é uma forma da empresa compensar", completou . Assim que o TAC for assinado, será encaminhado à Câmara e ao Executivo para liberação. No entanto, o secretário não estipulou prazo para esses trâmites.
Sobre o parque do Lago 4, Verçosa declarou que a revitalização está nos planos da Prefeitura. "Junto com a CMTU e a SEMA, estamos fazendo recuperações em outros pontos da cidade. Vamos colocar esse espaço como uma das prioridades e as ações de recuperação vão chegar lá", garantiu.


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