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PARECE FLORESTA - Uma casa nada engraçada

11 jan 2016 às 09:43


Está localizada na região sul o quintal com um dos maiores matagais de Londrina. Mais especificamente na Rua Martins Balero Saes, no Conjunto Cafezal 1, onde uma casa desabitada há anos foi tomada pela vegetação. Além do cenário de filme de terror, a área também serve de habitat do mosquito da dengue e abrigo para pessoas mal intencionadas. O local já virou criadouro para outros tipos de insetos e abrigo para bichos e animais peçonhentos, que ainda aterrorizam a vizinhança, atacada constantemente.
As chuvas e a umidade típicas dessa época do ano reforçam a fórmula perfeita para o crescimento desenfreado do problema. O mato avançou sobre todo o terreno e invade até o interior da velha residência. A calçada localizada em frente ao imóvel também já está tomada pela vegetação selvagem. Os pedestres são obrigados a caminhar pela rua.
Quem sofre com o desleixo do proprietário da casa são os moradores da Rua Martins Balero Saes. Principalmente o vigilante Joel Hernandes, que vive com a esposa e dois filhos em uma residência ao lado. Sobre o risco que o matagal oferece aos vizinhos, ele conta que há algumas semanas foi atacado por uma aranha, que saiu do local. "Fui picado na mão direita. Acredito que foi uma aranha. Senti muita febre, minha mão inchou, ficou escura e tive que procurar um hospital. Precisei ser medicado com antibiótico e tomar algumas vacinas", explica Hernandes. "Tenho que tomar muitos cuidados. Afinal tenho dois filhos pequenos e estou sempre de olho para que eles não se aproximem do matagal. Mas os bichos é que saem de lá e invadem a nossa casa", denuncia ele.
O vigilante relata que já topou com diversos bichos, que deixaram a vegetação e ocuparam a frente da sua moradia. "Nessa floresta tem de tudo: escorpião, cobras, sapos e até mosquito da dengue. Quando chego em casa durante a noite, a calçada da minha casa está repleta de sapos. Tenho que descer e tirá-los com os pés", comenta Hernandes. Ele conta que a casa vizinha está desabitada há quase cinco anos e pode ser alvo de uma disputado na justiça.

Fiscais encontram proprietário
Segundo dados da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), o Código de Posturas do município determina que a obrigação sobre a limpeza e a conservação dos terrenos privados é do dono. Inclui também a manutenção das calçadas em frente aos lotes.
O proprietário do imóvel citado, no Conjunto Cafezal, foi localizado pelos fiscais da CMTU, que foram até o local e conseguiram conversar ele. Caso a limpeza do terreno não seja realizado até o próximo dia 19 (15 dias após a publicação no Diário Oficial do município), o dono da casa poderá ser autuado. A CMTU informou que até a última semana nenhuma queixa havia sido registrado na Companhia sobre a situação desta casa.
Denúncias de terrenos com mato alto podem ser feitas nos telefones 3379-7900, da CMTU, ou 3372-9483, da secretaria municipal do Ambiente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17 horas. (P.M.)

CMTU notifica proprietários de terrenos
Esta semana, a CMTU publicou no diário oficial uma notificação para que os proprietários façam a limpeza e manutenção de terrenos. Eles têm prazo de 15 dias para providenciar a conservação. "É duas vezes mais caro para o proprietário se nós fizermos a limpeza", alertou Mauro Andrade, diretor de Operações da companhia.
Quando a limpeza é feita pela CMTU, o dono do terreno paga multa de R$ 2 por metro quadrado, o valor do serviço e mais 10% sobre este valor como taxa de administração. Andrade explicou que a companhia gasta em torno de R$ 56,5 mil por mês com roçagem de terrenos particulares e arrecada em torno de R$ 350 mil por mês em multas.
A falta de limpeza dos terrenos particulares tem preocupado os moradores do Jardim Olímpico. Em apenas uma quadra da Rua Aparecida Bernardo Caetano, há três terrenos baldios sem manutenção. A quituteira Maria Adileusa Cardoso, de 56 anos, conta que tem encontrado com frequência bichos dentro de casa. "Tem aparecido muito piolho de cobra e meu marido até já matou uma cobra-cega na cozinha", contou.
De acordo com a CMTU, apenas uma empresa faz o serviço de capina e roçagem de terrenos particulares e, por isso, em algumas regiões o serviço demora mais para ser realizado. Em média, são realizadas limpezas em 200 terrenos por mês. A cidade tem em torno de 40 mil terrenos particulares.
Aline Machado Parodi
Grupo Folha


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