Leste, oeste, norte e sul. Veículos antigos e até com poucos anos de uso, eles estão por todos os cantos de Londrina. Há anos ou há meses estacionados em locais públicos, sem qualquer tipo de sinalização, se deteriorando, expostos aos efeitos da chuva e do sol em frente a terrenos e imóveis.
"Enfeiando" as ruas da cidade, em condições de abandono, os "possantes imóveis" viram casas para animais de rua ou até esconderijo. Alguns acumulam água parada e podem servir ainda de criadouro para o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Os problemas não acabam aí, podem causar acidentes, pois não possuem qualquer sinalização e podem ser facilmente atingidos por um condutor desavisado, além da ameaça de tétano devido ao estado de ferrugem.
Um dos bairros com carros imóveis estacionados é o Residencial Vista Bela, zona norte de Londrina. Uma moradora, que pediu para não ser identificada, explicou que um dos carros está há meses ocupando parte da rua Luiz Moro Netto. O veiculo, um Fiat Tempra, estaria sendo desmontado aos poucos. Atualmente, o carro está sem rodas e com a carroceria sobre tijolos. Ainda no Vista Bela, um outro Tempra ocupa parte da Avenida Giocondo Maturi. Segundo a moradora do bairro, o carro está estacionado há alguns meses no local. Aparentemente abandonado, ele teria sido incendiado.
Com o teto amaçado, após uma chuva, a lataria pode acumular água parada e servir como criadouro para o transmissor da dengue. Além disso, o trecho da avenida onde está parado não possui sinalização e pode ser atingido por um motociclista. Folhas secas, pó, depredação, crianças também podem aproveitar o carro para brincar. O Tempra está tomado pela ferrugem e existe a preocupação de alguma pessoa se contaminar por tétano, infecção aguda e grave, que ocorre pela introdução da bactéria em ferimentos. Parte da lataria é perfurante. Perfeita para a transmissão, que ocorre em locais contaminados com terra, poeira, fezes. Já no Jardim Santo André, zona oeste, no final da rua Ildo Garcia, há outros carros. Alguns sobre a calçada. Na lateral da via há um Volkswagen Gol parado, sem uma das rodas.
De acordo com a Companhia de Polícia de Trânsito (Ciatran) de Londrina, considerando que o termo "abandono" não está capitulado no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) ou em norma regulamentadora, a apreensão de veículos nesta situação, por parte da Policia Militar, ficaria totalmente "desprovida" de legalidade. Ainda segundo a Ciatran, a Policia Militar só pode recolher os veículos que estão estacionados irregularmente, ou seja, cometendo alguma infração de trânsito prevista no Art. 181 do CTB, cuja a medida administrativa prevista seria a remoção do veículo. Ainda com divulgação da Companhia, mesmo que um veículo esteja estacionado, imóvel há alguns meses em via pública, se estiver regularmente estacionado não há nada a ser feito por parte da Polícia. (P.M.)
Multa e remoção do veículo
Segundo a coordenadoria de fiscalização de posturas da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), os fiscais buscam identificar, junto aos órgãos responsáveis, se o veículo ainda está em circulação. Identificado o proprietário do veículo comprovadamente abandonado, a CMTU faz a notificação para que a retirada ocorra num período, aproximado, de 10 dias. O mesmo vale para as sucatas. Se isso não ocorrer dentro do prazo estipulado pela fiscalização, a companhia poderá fazer a remoção do veículo do local sob a penalidade de multa ao responsável. A CMTU informa que já concluiu o Termo de Referência para o aluguel do guincho, para agilizar a retirada desses carros das ruas e deverá, agora, providenciar o processo licitatório. (P.M.)
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