Em entrevista ao NOSSODIA, o médico oncologista Gustavo de Assis Gobetti responde às perguntas dos leitores e reforça a importância de se manter informado e de fazer exames periodicamente e destaca o papel que a família desempenha durante o tratamento de pacientes com câncer. "As pacientes precisam de muito apoio", frisa.
O senhor trata pacientes há cinco anos. Considera que as informações são suficientes?
Nesses cinco anos há mais informações, sim, e as ações da ações da mídia e movimento Outubro Rosa têm ajudado.
E o preconceito, diminuiu?
Não. Ainda há muito estigma sobre câncer, causas, tratamento. Por exemplo, muita gente pensa que "quanto mais mexer, pior fica" ou falar de câncer é falar de morte.
A partir de que idade o senhor orienta as mulheres a se observarem?
Toda pessoa deve ser estar com seus exames em dia, consultar seu médico regularmente. Quanto ao câncer, deve-se fazer o exame clínico rotineiramente e mamografia anual a partir dos 40 anos.
E quando há casos na família, deve-se redobrar a atenção?
A minoria dos casos tem causa genética - apenas 10%. Quando temos história na família, devemos, sim, redobrar a atenção e fazer os exames cinco anos antes da idade que o parente ficou doente.
E no caso da paciente que está em tratamento como os familiares devem agir?
As pacientes precisam de muito apoio. Manter o carinho e amor ajuda no tratamento. O parceiro tem que aceitar também e trabalhar a autoestima, já que companheira está passando por um período muito difícil. Além de doente, muitas vezes se sente feia por ter passado por uma cirurgia da mama e ter ficado careca pelo tratamento. É preciso entender que a mulher é mais importante, que o problema é é temporário e o objetivo é que seja curada.
Qual a realidade do câncer de mama no Brasil?
O mais comum e mais letal é o de mama: 22% dos cânceres da mulher, ou seja , uma em cada cinco cânceres da mulher são de mama. Em 2014, estima-se que matou aproximadamente 57 mil mulheres
O senhor faz palestras, não é mesmo? Qual o principal foco do senhor?
O primeiro é a informação. O segundo é criar entusiastas que vão repassar as informações e multiplicá-las. Além disso, que as mulheres entendam a importância de manter os exames em dia e que os próprios homens cobrem isso das mulheres. O ideal é que quem não sabia, vá atrás. Quem sabia e tinha medo, que perca o medo e entenda que se for para descobrir esse diagnóstico, que seja o mais breve possível pra aumentar as chances de cura. Essa é a meta, descobrir o quanto antes para chegarmos a 95% de chance de cura.
O senhor considera que as mulheres se cuidam como merecem?
Não. Cada vez trabalham mais, acumulam mais tarefas, cuidam da familia toda deixam de lado a própria saúde.
Sobre a fragilidade que acomete a mulher diagnosticada com câncer, qual o suporte emocional dado a ela?
Temos o setor de psicologia do Hospital do Câncer de Londrina que fornece auxilio, mas o apoio da família e da religião são imprescindíveis.
Como a mulher deve encarar o tratamento? Como se encorajar?
Manter o foco na cura. Deixar em segundo plano o fato da cirurgia e da dura quimioterapia. Cada caso é um caso e por isso é preciso evitar comparações com outras pacientes. Hoje, a Ciência evoluiu e dispomos de tratamentos mais brandos como cirurgias menos mutilantes e quimioterapia menos tóxica.