"O homem não apresentava ferimentos. O riacho também não era profundo, a vítima pode ter se desequilibrado por algum motivo e se afogado", explicou ela. Segundo o Instituto Médico Legal de Londrina (IML), a morte foi confirmada por afogamento. Outro caso atendido pelo Corpo de Bombeiros foi registrado na tarde do mesmo domingo. Carlos Aparecido de Abreu, 53 anos, foi encontrado morto no Rio Congonhas, em Uraí (Região Metropolitana de Londrina). A causa do óbito também foi por afogamento, segundo o IML.
AUTOCONFIANÇA
Do início do ano até o dia seis de novembro, apenas sete afogamentos tinham sido registrados em Londrina. Segundo a tenente Luana da Silva Pereira, o número deve aumentar consideravelmente com a chegada das altas temperaturas, previstas para o fim deste ano. "O momento mais preocupante está chegando. Assim como o período de férias escolares e festas de fim de ano, que contribuem com o aumento das ocorrências", observa a responsável pela comunicação do 3° Grupamento de Corpo de Bombeiros. "Os acidentes não se limitam aos rios e córregos, podem acontecer até mesmo em tanques e piscinas dentro de casa. Porém, a maior parte dos incidentes é registrada em lagos e riachos na área urbana e rural de Londrina", explica Luana.
"Crianças são as mais vulneráveis, mas também há vítimas maiores de idade. Entre elas jovens que possuem um grande espírito aventureiro, sem conhecimento suficiente sobre ameças que o local oferece. Já as pessoas de mais idade se arriscam durante as pescarias, a bordo de embarcações. Há casos ainda em que a vítima faz uso de bebida alcoólica. A autoconfiança é outro fator preocupante, a pessoa perde o medo e acaba agindo imprudentemente."
Localizado na zona oeste de Londrina, o ribeirão São Domingos é ponto de encontro para adolescentes e crianças nos dias quentes. Apesar da água barrenta da bacia hidrográfica, dezenas de jovens usam o espaço para mergulhar, nadar e até realizar "saltos ornamentais". Um grave acidente pode acontecer a qualquer momento, porém o grupo escusa que não possui um espaço apropriado para se refrescar. Os frequentadores moram na própria região, Conjunto João Turquino, Maracanã, Olímpico, em Londrina, e no residencial Campos Verdes, em Cambé. De acordo com eles, a busca pela diversão é o que motiva a aventura. "A gente não tem outro lugar para nadar. Ficar em casa nesse calor? Não dá! Jogar bola na rua também é muito difícil com esse sol. Chegamos da escola, almoçamos e partimos para o rio", comentam alguns dos jovens. Além do risco de afogamentos e infecções, devido ao contato com a água que pode estar contaminada, adolescentes e crianças desafiam o perigo realizando saltos mortais com o apoio de um colchão velho de molas, improvisado como trampolim, e se jogando de árvores e até de uma ponte. Questionado sobre os riscos, o grupo admite conhecer a gravidade, porém os saltos se repetiam freneticamente. Situação que se repete ainda em outros lagos e córregos de outras regiões de Londrina. (P.M.)
A oficial recomenda o banho apenas em áreas apropriadas, com a supervisão de salva-vidas. "Mesmo que a pessoa saiba nadar, ela pode ser surpreendida por causa da correnteza, do nível do rio", ressalta. "A recomendação é que não busque locais inapropriados para se refrescar, como riachos, rios, lagos. Principalmente em áreas desconhecidas. Procure lugares específicos para banhos, sempre acompanhado, como piscinas de clube e espaços para recreação que possuem a supervisão de profissionais em salvamento", detalha Luana. "O mais recomendado é que se use coletes salva-vidas, mesmo que já tenham alguma noção de natação. Não é recomendado o uso das boias porque não garantem a flutuação", acrescenta a oficial. (P.M.)