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Acessibilidade?

Os perrengues de cada dia dos cadeirantes no ônibus

Edson Neves/NOSSODIA
08 jul 2018 às 21:04

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Edson Neves/Nosso Dia
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"Aquilo foi o ponto crucial da minha paciência", disse o músico autônomo Paulo Rogério Fernandes de Lima, depois que o degrau de um elevador para cadeirantes caiu sobre a sua perna, no último dia 2 de julho. Paulo é um dos milhares de cadeirantes de Londrina que utilizam o transporte coletivo para se deslocar. No entanto, o estado dos equipamentos, somado à lotação dos ônibus e a falta de acessibilidade, comprometem ainda mais a vida de quem já tem a barreira de estar sobre uma cadeira de rodas.

"Meses atrás, tomei chuva porque o elevador não funcionava e fiquei completamente ensopado. O motor da minha cadeira quase danificou. Mas deixei pra lá. Há duas semanas, três ônibus estavam com o elevador quebrado. Saí do meu bairro – Jardim San Fernando – para ir até o centro. o ônibus veio, o motorista desceu para manusear e não funcionou. Foi ligado para a empresa e depois de 30 minutos veio um ônibus só para me levar onde precisava", conta.

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E a dor de cabeça não parou por aí. "Na rua João Cândido para a Avenida Maringá, fui pegar novamente o ônibus da mesma linha e precisei esperar um segundo porque o primeiro não funcionava o elevador. Já na Avenida Maringá, me preparando para voltar à minha casa, o elevador só funcionou à marretadas. Uma semana depois, aconteceu o machucado na minha perna por causa do degrau", completa Lima. Também cadeirante, Luzia Terezinha Fante Soares desabafou sobre a falta de apoio de muitos usuários. "Tem horas que o ônibus está entupido quando a gente vai pegar, então somos xingados, escutamos muita coisa. Tento levar na brincadeira, mas é bem complicado".


Luzia também se posicionou sobre a conduta dos motoristas. "Acontece de quebrar e colocam a culpa sempre no motorista. Nós, cadeirantes, sabemos quais são profissionais e quais não são. Como alguns ônibus são antigos, tem quem já está de ‘saco cheio’ e prefere ajudar a quebrar, com as marretadas, do que transportar. Você precisa gostar do que está fazendo. E gostar de lidar com pessoas. Não cadeirante, grávida ou idoso. Sem rótulos. Mas gostar de pessoas", disse Luzia.

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"Cadê o fiscal de contrato da CMTU? Isso (fiscalização) está no contrato. Cadê a equipe de manutenção? Será que treinaram o suficiente? Eu estou cansado disso. Só quem passa por isso sabe dizer o que eu to passando. Demorei muito para me pronunciar", finaliza Paulo. De acordo com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), a frota do transporte coletivo da TCGL é composta por 343 veículos, todos adaptados com elevadores para cadeirantes. A frota da Londrisul é de 90 veículos.


CMTU e empresas minimizam
A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) enviou nota respondendo que a reclamação do entrevistado "não foi encontrada ou registrada na Companhia ou na TCGL" e que, "quando ocorrer este tipo de problema, a Diretoria de Transportes orienta que o usuário faça queixa". A CMTU informou ainda que a fiscalização é feira diariamente e que do total arrecadado na tarifa, cerca de R$ 320 mil (equivalente a 3%) é repassado para as manutenções.

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Questionada sobre as manutenções, a TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina), respondeu que a empresa "trabalha com manutenção preventiva da frota e cada componente dos veículos tem um programa de revisão. No caso dos elevadores, a cada 100 dias todos os equipamentos passam por revisão preventiva onde são desmontados e montados, corrigindo possíveis falhas. A cada 10 mil quilômetros são inspecionados as condições globais dos elevadores e efetuamos os procedimentos para garantir o bom funcionamento" e que "um profissional em tempo integral é colocado para cuidar de problemas relacionados aos elevadores da frota de veículos".


Sobre as ocorrências, a empresa relatou que "grande parte das ocorrências relatadas com equipamentos de elevador dos veículos é pontual na operação diária da empresa" e que "não mede esforços para cumprir suas obrigações enquanto prestadora do serviço de transportes com um plano de revisão preventiva eficaz". "É importante mencionar que o transporte coletivo é o mais abrangente e mais usado meio de acessibilidade dos deficientes físicos em Londrina. E, por ser o mais usado, está sujeito a ter mais reclamações, que são mínimas se comparadas à quantidade de cadeirantes que transporta diariamente", conclui a nota.

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Segundo Marildo Lopes, gerente-geral da Londrisul, que também possui concessão do transporte coletivo em Londrina, a empresa "tem revisão mensal e checklist diário na saída e recolhida dos veículos, de forma geral também nos elevadores de acessibilidade". O diretor complementa informando que existem as ordens de serviço corretivas, em que os motoristas apontam um possível problema nos equipamentos e os ônibus são enviados ao conserto. "Já as ordens de serviço preventivas são feitas a cada 8 mil quilômetros nos ônibus convencionais e a cada 5 mil nos micro-ônibus. Com ou sem problemas, as revisões são feitas".


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