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ORGULHO NACIONAL - Marcia, a força londrinense no Pan

15 jun 2015 às 10:15


Na infância, por causa da sequela de poliomielite na perna direita, ela já chamava a atenção no bairro onde morava, na zona norte de Londrina. Os anos passaram e ela continuava atraindo os olhares. No entanto, agora não só da região onde foi criada, mas também de todo o País. Ela é Marcia de Menezes, 47 anos, que superou as limitações físicas para se tornar referência no halterofilismo paralímpico mundial.
No ano passado, a atleta conquistou bronze no mundial da categoria e assumiu o posto de promessa brasileira por medalhas nas Paralimpíadas 2016, no Rio de Janeiro. Mas o passaporte para a cidade maravilhosa não está garantido. Pelo contrário, a atleta terá de conquistar um bom resultado no Parapan-Americano de Toronto, no Canadá, em agosto deste ano. "O ciclo de preparações intensas para Toronto já começou. De segunda a sábado, em treinos específicos e de fortalecimento. Além disso, pelo menos três vezes por semana, faço natação para melhorar a resistência. A expectativa para o Canadá é de pódio. Se for bronze, bom. Prata, ótimo. Mas se for ouro, vai ficar melhor ainda", adianta a atleta, que irá competir na categoria até 79 kg.
Apesar de estar apenas na metade, o ano de 2015 já é vitorioso para Marcia. "Em fevereiro, participei da 1° Etapa Regional Loterias Caixa, em Recife (PE). Me sagrei campeã e consegui o índice para disputar o Regional das Américas e o Campeonato Aberto de Halterofilismo, disputados numa só competição, em abril, no México. Consegui duas medalhas de prata e o índice para o Parapan-Americano", relata a atleta. "Em maio, participei da 2° Etapa Regional Loterias Caixa, na categoria até 86 kg, em Uberlândia (MG), onde também me sagrei campeã", acrescenta ela, que se tornou em 2014 recordista brasileira e das Américas após levantar 116kg na barra.
Devido aos bons resultados nos últimos anos, Márcia ganhou a chance de integrar a seleção brasileira e há um ano e oito meses deixou Londrina para treinar em Itu (SP) junto aos demais atletas. "Fui treinar no Centro de Referência de Halterofilismo, com Valdecir Lopes, técnico da seleção brasileira. Foi uma solicitação do Comitê Paralímpico e da equipe multidisciplinar, pois viram em mim o potencial para a medalha no Mundial. Aceitei. Deixei filho, família e amigos. Mas nada acontece por acaso e, até agora, graças a Deus, não perdi nenhuma missão. Nesse período foram quatro medalhas internacionais", destaca ela feliz da vida.


Marcia treina duro para chegar ao pódio no ParaPan de Toronto, no Canadá


Currículo de peso
Marcia começou no halterofilismo em 2007 e desde então conquistou muitos títulos no Brasil e até já perdeu as "contas de quantas" se tornou campeã por aqui. Por isso, destaca apenas as conquistas internacionais. "Fui quinto lugar no Parapan de Guadalajara (México), em 2011, quinto lugar no Campeonato Aberto Fazza (Dubai), em 2012, sexto nas Paralimpiadas de Londres (Inglaterra), em 2012, bronze no Campeonato Aberto da Hungria e bronze no Mundial de Dubai, em 2014", detalha a atleta. "Esta última, medalha inédita para o halterofilismo brasileiro na categoria sênior, tanto no feminino como no masculino. Também sou recordista brasileira e das Américas, com levantamento de 116 kg na barra, em 2014. Além de medalha de prata no Regional das Américas e no Campeonato Aberto de Halterofilismo, em abril de 2015", completa Márcia, que começou no esporte em 1999, na Adefil (Associação Deficientes Físicos de Londrina), onde competiu também no atletismo e na natação. (P.M.)

Falta de apoio não impede conquistas
Assim como a grande maioria das modalidades brasileiras, o halterofilismo também sofre com a falta de patrocínio. "No geral, com certeza, falta apoio aos atletas. Estou lá, em Itu, treinando para representar o Brasil, mas levo Londrina comigo onde vou. Deixei minha equipe (Geração Integrar de Londrina/UEL) e sei que os atletas daqui tiveram que bater em portas, fazer vaquinhas, tirar dinheiro do próprio bolso para competir. Tudo por causa da falta de um projeto esportivo. Mesmo treinando pouco mais de um mês para a competição, por causa da greve na UEL, a equipe de para-halterofilismo de Londrina teve um bom resultado na competição", valoriza Marcia. (P.M.)


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