"Temos um crime de corrupção ativa e passiva e associação criminosa, por enquanto. As investigações continuam em curso, não se encerraram ainda, assim como a apuração dos envolvidos. Então, é possível que nós identifiquemos mais elementos envolvidos", disse o coordenador do Gaeco em Londrina, Jorge Barreto da Costa. Segundo o promotor, dentro do esquema os vereadores teriam a função de propor e encaminhar os projetos de alteração na lei de zoneamento para aprovação e os empresários facilitavam para que os projetos andassem dentro da Câmara de Vereadores.
"O dinheiro não chegava às mãos dos agentes públicos. Esse dinheiro circulava através de interpostas pessoas, no caso desses empresários, que de alguma forma atuavam para o benefício do grupo", explicou Costa. O valor total movimentado pelo grupo atuante no esquema de corrupção ainda está sendo apurado, mas o valor de cada movimentação variava de R$ 100 mil a R$ 1,6 milhão. "O valor total pago, para quem ficou e quanto ficou para cada uma das partes ainda é objeto de investigação", declarou o promotor.
O procedimento natural para alteração na lei de zoneamento urbano do município envolve a realização do EIV (Estudo de Impacto da Vizinhança) e uma assessoria para o acompanhamento da tramitação do projeto no Legislativo. Durante as investigações, o Gaeco solicitou um orçamento a uma empresa e esse serviço técnico foi cotado entre R$ 24 mil e R$ 27 mil. Dentro do esquema, os vereadores teriam atuado em conluio com o CMC e os investigadores do Gaeco apuraram que um empresário integrante do conselho era apontado por um vereador como sendo a pessoa mais indicada para fazer o EIV e o trabalho de acompanhamento na Câmara. O orçamento apresentado por ele começava em R$ 100 mil.
Em um caso, ele chegou a cobrar R$ 100 mil mais sete lotes como contrapartida pela aprovação do projeto, totalizando R$ 1,6 milhão. "Há uma grande discrepância entre os orçamentos", avaliou o delegado do Gaeco, Alan Flore. Ele não revelou se o vereador em questão seria Takahashi ou Alves.
"O que foi esclarecido da parte dos agentes públicos é que houve facilitação na aprovação dos projetos e, da parte dos particulares, o faturamento e a entrega para as empresas prestadoras de serviço com valores muito acima dos praticados pelo mercado, incluindo a entrega de terrenos", destacou Barreto. Além dos 11 nomes divulgados até agora, outras 15 pessoas deverão ser ouvidas pelo Ministério Público por suspeita de envolvimento com o esquema. (Simoni Saris/Grupo Folha)
AFASTADO
O procurador-geral do Município de Londrina, João Luiz Esteves, informou que, em virtude da Operação ZR3, afastou o ex-secretário municipal de Obras e diretor de Loteamento da secretaria Ossamu Kaminagakura, que é servidor efetivo da secretaria. Em nota encaminhada pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina, informou que a atual gestão está auxiliando o Gaeco no que é necessário à investigação. E ainda que, por correr em segredo de Justiça, "todas as informações requisitadas serão enviadas diretamente ao Gaeco e ao juízo da 2ª Vara Criminal, que comandam o processo de investigação". Os demais investigados devem cumprir medida cautelar até a manhã desta quinta-feira (25). A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Kaminagakura e dos demais investigados: a ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) Ignes Dequech Alvares; o ex-secretário municipal do Ambiente, empresário e membro do CMC Cleuber Moraes Brito; o empresário e também membro do conselho Luiz Guilherme Christino Alho; e os empresários Brasil Filho Theodoro Mello de Souza, José Lima Castro Neto, Homero Wagner Fronja e Vander Mendes. (Guilherme Marconi/Grupo Folha)
Recesso
A Câmara está em recesso e os vereadores retomam as sessões no próximo dia 1º de fevereiro. O vice-presidente do Legislativo, Ailton Nantes (PP), irá assumir a presidência durante o período em que Takahashi estiver ausente. Ele disse estar surpreso. "A gente nunca imagina essa situação, mas não temos nenhuma informação concreta do processo. É uma situação desagradável para a Casa e para cidade, mas estamos trabalhando no sentido de que os trabalhos na Câmara prossigam normalmente para que não haja mais prejuízo para a cidade." Nantes disse ainda que o caso será tratado com normalidade pelo Legislativo, dentro da legalidade, e que deverá ser discutido pela Mesa Diretora. (S.S.)
GESTÃO KIREEFF
O ex-prefeito de Londrina Alexandre Kireeff (PODE) disse que acompanhou pela imprensa a notícia de envolvimento de dois ex-secretários da sua gestão envolvidos no suposto esquema de corrupção ocorrido na Câmara. Brito foi secretário de Ambiente por um período de alguns meses e Dequech foi presidente do Ippul na sua gestão. "Se eu tivesse qualquer tipo de conhecimento desse esquema eu tomaria todas as medidas apropriadas para denunciar."
O ex-prefeito não é alvo de investigação do Gaeco, entretanto, disse estar disposto a colaborar caso seja convocado a prestar depoimento como testemunha. "É triste, mas é bom. É importante que isso aconteça. Quem pisa na bola tem que ser investigado e julgado. A gente torce para que haja punição." A investigação apura irregulares entre 2013 e 2017, período que abrange a antiga e atual administração. (G.M.)