Em 2017, um terço das mortes registradas em Londrina ocorreram na zona sul. Até o fechamento desta edição, 20 pessoas tombaram mortas violentamente na região. Em pouco mais de duas semanas, aproximadamente dez pessoas foram baleadas nos vizinhos bairros Parque das Indústrias e jardins Ouro Branco e Franciscato. Este último foi palco do ataque mais sangrento. No domingo (14), cinco pessoas foram baleadas e uma morreu. No meio do fogo cruzado, a população se pergunta: qual o motivo de tanta violência? Quem são os assassinos? Alguém já foi preso? Não.
De acordo com o novo delegado de Homicídios de Londrina, Ricardo Jorge, que assumiu a repartição nesta semana, os crimes estariam relacionados. Tudo teria começado na noite de 27 de abril, após o assassinato de Lucas Lopes, o "Beiço", de 22 anos. Ele foi morto a tiros em um estabelecimento na rua Madre Silva, no Parque das Indústrias. De acordo com a Polícia Militar, na ocasião, dois homens chegaram ao local em uma motocicleta preta, um deles desceu e disparou várias vezes contra a vítima, que morreu no local. O jovem tinha antecedentes criminais.
Cinco dias depois, a resposta. Lucas Felipe Firmino da Silva, 21, foi morto a tiros na rua Crisântemo, também no Parque das Indústrias, em plena luz do dia. Outros dois jovens foram atingidos. A terceira vítima fatal da suposta guerra foi Jonathan Henrique Pereira, 22. Ele foi morto na tarde de 12 de maio. O crime ocorreu na rua das Magnólias, no Parque Ouro Branco. A vítima estava em uma Honda Fan preta e também teria antecedentes criminais. Os bandidos teriam usado um Fiat Palio para fugir.
No último domingo (14) foi registrado o caso mais violento, com pelo menos um morto e outras cinco pessoas baleadas. A tentativa de chacina ocorreu na rua Ana Raimunda Martins Mendes, no Jardim Franciscato. Raffael Lopes Vicente, 21, foi o único a morrer no local. Outros feridos foram hospitalizados. Vicente também teria antecedente criminal. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
Sede de vingança
Para a Polícia Civil, as execuções seriam motivadas por vingança. "Cheguei nesta semana à Delegacia de Homicídios e ainda preciso me inteirar totalmente sobre os casos. Mas, pelo que os investigadores já apuraram, as mortes estariam sendo motivadas por vingança e desentendimentos, após o primeiro caso registrado no fim de abril", explicou o delegado Ricardo Jorge, se referindo ao assassinato de Lucas Lopes, em 27 de abril.
Jorge investiga o envolvimento dos autores dos atentados e das vítimas com o tráfico de drogas, porém não confirma se estariam em conflito pela venda de entorpecentes na região sul. "Ainda ninguém foi preso, mas nossas duas equipes estão investigando esses homicídios. Porém nenhum suspeito ainda foi preso", acrescentou ele na tarde de terça.
O NOSSODIA também tentou ouvir o porta-voz do 5° Batalhão de Polícia Militar, sobre um possível reforço policial na zona sul, mas não conseguiu fazer contato com a PM até o fechamento desta edição. (P.M.)