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O rei das minhocas

17 jul 2014 às 08:33

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Pedro da Silva tem 57 anos e há quase quatro décadas tira seu sustento da terra, mas nunca plantou um pé de coisa nenhuma. E isso pode Arnaldo? A gente explica: todo dia ele sai de casa com a enxada numa mão e um balde na outra, caminha até a beirada do Ribeirão Quati, ali perto da Vila Marísia, e tem alvo certo: as famosas minhocas. E foi vendendo estes bichinhos que ele conseguiu criar os dois filhos e construir sua casa própria. "Já ganhei bastante dinheiro, hoje está mais difícil", compara.
Quando chegou ao bairro, só havia um vendedor de minhocas na margem da BR-369. "Era o seu João Vermelho. A turma apelidou ele assim porque era polaco e ficava o dia inteiro debaixo do sol. Parecia um camarão", brinca. Como as minhocas surgiam de todo o canto, o alemão sugeriu que os vizinhos se juntassem a ele: "Foi então que comecei, mas ia vender uns dois quilômetros acima da estrada pra não atrapalhar o ponto dele".
Com o negócio indo bem, a concorrência acabou sendo inevitável. Cada metro quadrado era disputado como em um garimpo. A Vila Marízia chegou a abrigar 30 famílias que se dedicavam à venda de minhocas. Com o passar dos anos, o vendedor conta que as minhocas foram rareando. "Hoje não passam de dez famílias na lida", aponta.
Como diferencial, Pedro tentou fazer diferente e deu certo. Em frente de casa, ele colocou uma placa anunciando "minhoca no capricho". A estratégia é simples, mas funciona. Por R$ 10, o cliente leva uma porção bem servida. Em dias de bom movimento, ele vende até cinco potes do "produto".
Apesar das dificuldades, Pedro não desiste. "De tanto mexer com minhoca, a gente aprende um pouco. A cada golpe da vida, temos que lutar e voltar a crescer". E ele também não sonha com riqueza ou aposentadoria. "Gosto dessa vida. Quando a minhoca está em baixa, vendo latinhas ou faço outro serviço qualquer. Não suporto ficar parado". (Celso Felizardo/Folha de Londrina)
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