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O DIA DEPOIS DA TRAGÉDIA - Agarrando as lembranças

01 dez 2016 às 09:01


Cianorte – Quase 600 quilômetros separam as cidades de Cianorte, no Noroeste do Paraná, e Chapecó, no Oeste catarinense. Mas a tragédia com o avião da Chapecoense que matou 71 pessoas uniu os dois municípios numa mesma dor. Enquanto os torcedores choram na Arena Condá, amigos e familiares das vítimas que passaram pelo time do Cianorte também derramam as lágrimas com as lembranças que ficam na hora da despedida.
Entre os jogadores que vestiram a camisa do Leão do Vale estão Danilo, Tiaguinho e o zagueiro Neto, um dos sobreviventes da tragédia. Além disso, o clube foi dirigido pelo técnico Caio Júnior, quando a equipe venceu o Corinthians pela Copa do Brasil em 2005 com um histórico 3 a 0, em Maringá, placar revertido pelo Timão no jogo de volta. Futuro ídolo do Londrina e da Chapecoense, o jovem goleiro Danilo fazia parte daquele elenco e era reserva do titular Adir Kist.
O atual zagueiro do Cianorte Diego Moura Cabral, 32 anos, relata que trabalhou com Caio Júnior entre 2004 e 2005, com Danilo entre 2001 e 2009 e com Neto entre 2008 e 2009 e jogaria o Campeonato Paranaense com Aílton Canela, outra vítima da queda do avião, que iria reforçar o Leão do Vale no Estadual. "No Cianorte, a gente trabalha com uma estrutura de boa qualidade e sempre teve união. Acredito que esse clima também estava presente na Chapecoense", comenta.
Diego mostra o seu álbum de casamento em que Danilo e o técnico do LEC, Cláudio Tencati, aparecem como convidados. "Eu falei que ele seria o astro da festa, pois o Danilo já estava famoso. Todo mundo queria tirar fotos com ele", relembra.
O zagueiro relata que ficou sabendo do acidente pelo WhatsApp. "Eu acordei e tinham várias mensagens. No começo, achei que fosse alguma brincadeira, mas depois vi que era sério. Fiquei aliviado quando falaram que o Danilo tinha sido resgatado com vida e fui treinar, mas depois falaram que ele não tinha sobrevivido", lamenta.
Além de perder o amigo, ele ainda viveu a agonia das notícias desencontradas que chegavam da Colômbia. "Quando veio a resposta definitiva de que ele tinha morrido eu estava na casa dos pais dele. Foi às 14h45". A notícia foi dada à mãe do goleiro na sua frente. "O Danilo era um amigo e irmão. A gente estava até organizando um churrasco para o dia 10, data em que ele viria para a cidade, com o pessoal que conviveu junto na equipe de base".
Sobre Neto, Diego afirma que está na torcida pela sua recuperação. Quando a reportagem chegou à casa do zagueiro, o televisor estava ligado para acompanhar as notícias do acidente. A memória mais forte da convivência de Diego com Caio Júnior foi justamente a partida entre Cianorte e Corinthians. "Eu me recordo que o treinador dizia que aquele seria o jogo de nossa vida e que era para darmos tudo da gente. Ele dizia que a vitória garantiria a todos nós um lugar ao sol", conta.

Família aguardachegada do corpo
A mãe de Danilo, Alaíde Padilha, relata que ainda não sabe quando o corpo de seu filho chegará ao Brasil. "A minha nora Letícia assinou uma procuração para autorizar o transporte do corpo, mas a gente não sabe quando isso vai acontecer, já que é preciso que os outros corpos sejam liberados. O corpo do Danilo foi fácil de identificar, já que ele tem uma tatuagem com o nome e a imagem de seu filho", revela. No entanto, ainda não existe previsão para chegada, realização do velório e sepultamento em Cianorte, conforme a vontade da família.
Ela lembra que o filho frequentava o campo de várzea que fica na frente da casa dela. "A gente chamava aquele lugar de esplanada. A prefeitura passava a máquina e juntava vários montes de terra. Só depois é que ali virou um gramado", recorda. O pai do goleiro, Eunício Padilha, relata que o filho começou a jogar bola por lá e depois foi para o "Cianortinho". "Depois, jogava no Ginásio de Esportes Tancredo Neves, onde o técnico era o Claudio Tencati. No começo, a gente pagava mensalidade, mas depois o Tencati viu que ele tinha talento e falou que não precisava mais pagar a mensalidade", conta.
O pai ainda revelou que o filho era são-paulino e foi sondado pelo Tricolor para se transferir para o time do Morumbi. "Ele tinha o sonho de defender o São Paulo um dia", afirma. Alaíde lembra que por onde passou, Danilo conquistou títulos e premiações individuais de goleiro da rodada, melhor em campo, destaque do campeonato. "Ele chegou a receber o apelido de ‘Rei do Acesso’, porque em todos os times em que ele atuava, conseguia fazer com que a equipe subisse. Do Londrina, por exemplo, Danilo sempre se recordava da partida que garantiu o acesso do Tubarão para a primeira divisão". Outro jogador do Londrina que morreu na tragédia foi o atacante Lucas Gomes, que estava emprestado à Chapecoense. (V.O)

Velório coletivo na Arena Condá
Chapecó - A diretoria da Chapecoense e políticos da cidade de Chapecó se reuniram ontem para definir a logística do transporte dos corpos e do velório dos jogadores, dirigentes e comissão técnica que morreram após a queda do avião que levava a delegação para Medellín, na Colômbia, onde a equipe catarinense enfrentaria o Atlético Nacional pela decisão da Copa Sul-Americana.
Atendendo aos pedidos dos familiares dos jogadores, os corpos serão enterrados em diferentes cidades. "Vamos respeitar na plenitude a vontade da família. Será feito um velório na arena e depois os corpos vão para seus respectivos Estados", disse Gelson Merisio, presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
Alguns parentes foram até a Colômbia fazer o reconhecimento dos corpos, junto com membros da diretoria do clube. Ainda não está confirmado se eles vão para Chapecó e participarão do velório ou irão direto para suas respectivas cidades.
O velório deve ser realizado na Arena Condá, estádio da Chapecoense, e a tendência é que se inicie na sexta-feira (2)

Agência Estado



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