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NOVO PANORAMA - Ratinho Junior vence de lavada e é o novo governador do Paraná

Guilherme Marconi
Grupo Folha
07 out 2018 às 23:24

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Theo Marques
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Votos apurados e resultados divulgados - um novo panorama político se desenha. No Estado, a chegada de Ratinho Júnior (PSD) ao posto de governador – com mais de 60% dos votos - já era esperada, mas, confirmada, representa a manutenção do modelo do grupo político que há tempos dita as regras no Palácio Iguaçu. Esta é a opinião do professor de Ética e Filosofia Política da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Clodomiro José Bannwart Júnior. "A derrota pessoal de Beto Richa (PSDB) é indiscutível, mas é preciso observar que não houve espaço para a oposição. Tanto Cida Borghetti quanto o próprio governador eleito fizeram parte do governo. O resultado, inclusive, foi muito semelhante ao alcançado pelo ex-governador nas últimas eleições. Há a vitória de um modelo político", afirmou Bannwart. A derrota mais representativa no Estado, no entanto, foi a de Roberto Requião (MDB) à reeleição no Senado. "Foi inusitada a votação, mas as pesquisas já indicavam uma ascensão do Professor Oriovisto Guimarães (Podemos) nas últimas semanas, mas a inversão foi uma surpresa", analisou.
Na Câmara dos Deputados, em Brasília, a cidade de Londrina perde a representatividade dos deputados Hauly (PSDB), que não se reelegeu, e Alex Canziani (PTB), que disputou vaga para o Senado. "São dois nomes importantes para a nossa região, mas o Canziani, por exemplo, abriu mão da vaga e acabou com a vitória da filha, Luisa. Ainda foram eleitos Diego Garcia (Podemos), Filipe Barros (PSL) e o Boca Aberta (Pros), que tem a candidatura sub júdice. De qualquer forma, há uma representatividade", avaliou Bannwart. A mudança que chama a atenção do estudioso, no entanto, é o desenho da composição do Congresso Federal na próxima legislatura. Com a validade da Cláusula de Barreira, que impõe novos critérios à representatividade dos partidos políticos, haverá uma diminuição de legendas e um desenho maior entre situação e oposição. "Desde o primeiro governo do Lula, um número grande de partidos de centro surgiu para compor com o governo. Agora há uma tendência, até mesmo diante do cenário político, a polarização. Desta forma, não importa qual será o governo, haverá oposição e uma melhora na governabilidade. O que é vital para a manutenção da democracia", explicou.
A divergência entre os resultados das pesquisas eleitorais e os resultados apurados mostrou que as discussões sobre o tema devem se aprofundar nos próximos anos. Em casos como o da eleição para o Senado no Paraná, se mostrou incapaz de medir a intenção do eleitor. "Este é um tema sério. Há um questionamento sobre até que ponto as pesquisas não ajudam a influenciar o voto. O quanto a pessoa se baseia nos institutos para fazer o voto útil. Mas o brasileiro deixa sempre tudo para última hora, há de avaliar de forma criteriosa este tema", opinou o professor da UEL. O fator importante a ser levado em consideração a respeito da opinião do eleitor é a falta de confiabilidade dos próprios partidos quanto às suas orientações e ideologias. Um bom exemplo foi o rompimento do MDB com o PT, unidos na chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, e separados logo depois da posse, o que posteriormente terminou no impeachment da ex-presidente. "A política é feita de dispersão e, próximo às eleições, os partidos buscam suas forças nas convenções, para exatamente convergir e se agrupar. Mas isso momentaneamente. Falta compromisso e como não esperar que o eleitor se rebele?", ponderou Bannwart .

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Derrota nacional
Na avaliação de Bannwart, o PSDB sai da eleição bastante fragilizado e a polarização com o PT também perde força. O foco do jogo político do País passa a ser outro. "Acredito que a votação inexpressiva de Geraldo Alckmin faça com que ele caia no ostracismo. Vai ser muito difícil para o PSDB se reinventar. Já o PT não perdeu mais porque chegou ao segundo turno, mas acredito que seja mais fruto do Lulismo do que do Petismo", analisou. Fator determinante em outras eleições, a campanha eleitoral na TV demonstrou ter perdido a força. Detentor de maior tempo em cadeia nacional, Alckmin rateou. Já Jair Bolsonaro (PSL), que poderia até ser considerado nanico, fez valer a sua militância nas redes sociais. "Quebramos o paradigma da televisão. Os próprios debates são mais valorizados pelas emissoras do que têm demonstrado ter um efeito prático. As redes sociais ganham papel de comício permanente e os velhos caciques ainda não se atentaram a isso", alertou, num tom de que a velha classe política está em cheque.

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