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‘Novidades das antigas’

26 jun 2014 às 08:31

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Sem portas ou divisórias para separar o freguês da mercadoria, Nilson Reis, 57 anos, juntou parte de suas relíquias e montou uma feirinha que atrai clientes e curiosos que apreciam objetos do passado. Sua feirinha fica exposta diariamente na rua Bauru, Zona Oeste de Londrina. E quem passa por lá para dar uma conferida nos produtos à venda sempre acaba com a mente cheia de lembranças do passado.
Isso acontece até mesmo com a nora do comerciante, Cinthia Feitosa, 24 anos. "Quando minha vó me colocava de castigo, eu tinha que moer café", recorda, diante dos moedores do grão. Tudo porque a menina de vez em quando aprontava e soltava as galinhas pelo quintal.
O aposentado Abelardo Barbosa, 78 anos, por exemplo, também foi fisgado pelo passado. Morador da rua Castro Alves, no Jardim Shangri-la, Abelardo atravessa a avenida e, entre uma caminhada e outra, sempre gosta de passar pela banca armada na rua Bauru para conferir se tem alguma "novidade das antigas". Entre candelabros, cédulas, telefones pesadíssimos, o aposentado encanta-se com uma máquina de escrever. "Isso é a coisa mais linda do mundo. Deveria ter mais umas dez lojas dessa na cidade. Não para concorrer, mas para divulgar antiguidades porque tem gente que nem sabe para que serve muita coisa que tem aqui. Hoje em dia as coisas estão muito descartáveis", compara Abelardo. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
O aposentado Abelardo Barbosa sempre que pode dá uma paradinha para ver de
perto as "novidades das antigas" comercializadas pelo Nilson Reis (de chapéu)

Quem visita a feirinha na rua Bauru, sempre acaba matando saudade de uma alguma coisa que conheceu tempos atrás

Fim de uma coisa, começo de outra

Os clientes param para namorar o que os olhos alcançam e o dono da banca de antiguidades se divide para dar atenção a todo mundo. "Sou bom de negócio", gaba-se o comerciante Nilson Reis. Nascido em Sertanópolis, ele passou a infância entre a cidade e o sítio e diz que herdou do pai o tino para as vendas. E para quem tem curiosidade de saber, por muito tempo Nilson tocou bar e lanchonete. "Cansei da noite e decidi passar o bar pra frente", fala. Ele vendeu parte dos utensílios que usava no comércio, mas guardou muitos ítens que colecionava e que hoje são comercializados como relíquias. "Essa, por exemplo, é uma câmera fotográfica Yashica Mat, série 66 e tem até a caixa", vende. (W.V.)


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