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Nova polêmica - Povão dividido com volta de quiosques

Walkiria Vieira
NOSSODIA
22 out 2015 às 09:08

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Walkiria Vieira
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O processo de instalação de três quiosques no Calcadão de Londrina está em fase de construção do termo de referência, o qual irá nortear os parâmetros da licitação. É o que explica o diretor de Projetos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Humberto Leal. A estrutura de 25 metros quadrados de cada unidade seguirá o mesmo modelo externo. "Será uma estrutura padronizada de metal e vidro. Por dentro, vai variar de acordo com os produtos de cada quiosque", explicou Leal. Ainda de acordo com o diretor de projetos, todos os termos para o funcionamento estão em fase de estudo na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU).
Enquanto isso, o vendedor ambulante de lanches, Joel Ribeiro, 49 anos, está apreensivo com a volta dos quiosques. Ribeiro teme que a Prefeitura não dê conta do recado. "Nossa família está nesse ponto há vinte anos e temos o dever de zelar pelo espaço. Eu sou a favor do Calçadão limpinho", resume.
O taxista Wladimir Cruz, 40 anos, acredita que os quiosques possam até ajudar em sua rotina. Sou a favor de ter um sorvete, por exemplo, mas existem outras prioridades, como o banheiro público. Nós taxistas vamos sempre nos comércios pedir para usar banheiro. Esse aqui não serve pra nada e não é só falta de limpeza. Não tem porta, não tem torneira e não é digno. Tinha que fazer o prefeito um dia vir aqui para ele ver a situação com os próprios olhos", reclama.
O gerente de uma loja de departamentos no Calçadão prefere não se identificar e confirma o alto fluxo nos sanitários da loja. "A grande maioria que usa os banheiros não é de clientes. E acabamos nem dando conta de limpeza, tão grande é o número de pessoas que usa. Perdemos o controle e ao mesmo tempo não impedimos a entrada para o simples uso porque não há como fazer isso." O gerente explica ainda que os sanitários ficam muito sujos com a grande quantidade de pessoas. "Daí, é necessários fechar. O Calçadão precisa de investimentos em segurança. A volta dos quiosques é viável, desde que feita com planejamento, organização e manutenção", considera.
O porteiro de um edifício localizado na rua Santa Catarina também prefere não se identificar, mas tem na ponta da língua a bronca que sente dos tempos do quiosques. "Aqui era entra-e-sai de gente que ia e vinha dos quiosques para usar nossos banheiros. Não acho certo fazer comércio de uma área pública, um espaço para caminhar livremente. Cada um deveria pelo menos ter seu banheiro e condições de atender os clientes por completo e não passar o problema pra quem paga funcionário de limpeza, segurança, porteiro e pelos produtos de limpeza, pela água, ou seja, tá tudo errado", reclamou.

Expectativa pra uns...
Os aposentados Amauri Aparecido Soares, 63 anos e João Pedro Dias, também 63, sentem saudades dos quiosques do Calçadão. Agora mesmo, podia comprar uma água e gelar a goela", dizem. "Era bom demais. Sabadão então, a gente corria aqui pro Calcadão", recordam. "Eu ia até aproveitar e namorar", diz João Pedro Dias, que está solteiro. "Isso até anima", reforça. (WV)


...preocupação para outros
A vista do Calçadão faz parte da rotina do casal de aposentados José Donadier de Carvalho, 88 anos e Dolores Guerreiros, 84. Todas as tardes, lá está o casalzinho. Vendo quem passa, o vai-e-vem de trabalhadores, crianças, famílias com seus animais de estimação e idosos - como eles. "Preferia que não tivesse quiosque. Naquele da ponta já teve até morte. Sou contra. Começa com café, depois já viu, tira a liberdade das pessoas e das famílias. E pra piorar, vão usar o quiosque para urinar nas paredes e isso preocupa", afirma. O aposentado Antonio Souza Dias, 65 anos, é da mesma opinião. "Isso dava muita bagunça, briga, bebedeira. E esse comércio também pode atrapalhar quem paga aluguel caro, pois podem perder freguesia. (WV)

Reposta da CMTU
Em nota, a CMTU informa que as especificações técnicas enviadas pelo Ippul à companhia para a licitação dos quiosques do Calçadão não contemplam novos banheiros públicos. A CMTU continuará operando os sanitários existentes na praça Marechal Floriano Peixoto (Praça da Bandeira), com atividades de limpeza e manutenção. Atualmente, a Companhia está realizando estudos para a ampliação da estrutura de banheiros químicos em Londrina, podendo ampliar a cobertura dos equipamentos também para aquela região. (WV)


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