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NOVA CHANCE - Jovens infratores conquistam o mercado de trabalho

Viviani Costa
Grupo Folha
12 fev 2017 às 23:45

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Marcos Zanutto
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"No começo, tudo é fácil. Só depois a gente vê que não vale a pena", admite o rapaz de 17 anos ao ser questionado sobre o início da vida no crime. João (nome fictício) cumpre medida socioeducativa na unidade de semiliberdade em Londrina. A ficha de atos infracionais inclui tráfico, receptação e tentativa de latrocínio. Para ele, as amizades e a falta de atenção o levaram a traçar um destino bem diferente do esperado. "É muita tristeza. A gente fica muito sozinho. Quero trabalhar e ajudar minha família", garante. João é um dos alunos do curso de manutenção de computadores e aguarda entrevista de emprego.
O colega de semiliberdade também está à procura de uma vaga no mercado de trabalho. Depois de se envolver em um assalto à mão armada e ser apreendido por tráfico de drogas, Marcos (nome fictício), de 16, quer ajudar a mãe. "Agora dou valor a minha família", confessa. No período em que cumpriu medida socioeducativa, o rapaz fez curso de chapeiro. Já o amigo Lucas (nome fictício), de 16 anos, trabalha desde o ano passado e faz supletivo. O primeiro salário como jovem aprendiz rendeu novas roupas, mas Lucas quer mais e pretende guardar dinheiro para comprar uma moto. "Eu nunca tinha trabalhado antes. Ficava na rua o dia inteiro", afirma o adolescente, apreendido após cometer ato infracional equivalente a assalto.
A reinserção social e o resgate dos adolescentes da vida no crime desafia as autoridades. Em todo o Paraná, 1.019 jovens cumprem medidas socioeducativas em liberdade e nas 27 unidades de internação e de semiliberdade. Em Londrina, 110 estão nos Centros de Socioeducação (Cense). As duas casas de semiliberdade instaladas na cidades abrigam 18 rapazes, dois deles trabalham como aprendizes, outros dois foram contratados de forma temporária e quatro serão encaminhados para entrevistas de emprego nos próximos dias.
As contratações dos aprendizes são feitas por meio da lei federal que obriga empresas de médio e grande porte a darem oportunidade a jovens com idade entre 14 e 23 anos. Numa tentativa de aumentar as chances dos adolescentes que cometeram ato infracional e favorecer a reinserção deles na sociedade, o governo do Estado oferece cursos técnicos para os que cumprem medidas de internação e semiliberdade. A lei federal não obriga a contratação específica dos que foram apreendidos, mas alguns empresários têm se sensibilizado com a proposta.
Os jovens que cumprem medida socioeducativa recebem remuneração de meio salário mínimo regional e o contrato tem duração de 1 ano e 4 meses. Para o diretor do Programa Semiliberdade em Londrina, Gilmar Bragantine Ferreira, as experiências favorecem a mudança de comportamento. "Eu percebo que, na maioria dos casos, aqueles que têm essas oportunidades e se qualificam mudam de vida realmente. Aqui nós trabalhamos as responsabilidades, corrigimos comportamentos e preparamos os adolescentes para as entrevistas", explica.
O programa conta com psicólogos e assistentes sociais que dão suporte aos rapazes. Cursos técnicos também são oferecidos na unidade. Outras capacitações são realizadas na sede da Guarda Mirim, instituição que ajuda crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade em Londrina.
A Secretaria de Estado da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos (Seju) não soube informar quantos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no Paraná estão contratados como aprendizes.
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