Pessoas não são bibelôs, como aqueles que se vê na vitrine, gosta-se da aparência e decide levá-lo para casa. Não se brinca com sentimentos humanos, pessoas são muito mais que isso. Quando se escolhe alguém para construir uma amizade, importante se faz ter em mente que nos tornamos responsáveis por aquela pessoa e quando se tem a reciprocidade como resposta, a responsabilidade é ainda maior. A lógica de alguns em relação ao outro é mais ou menos assim: escolhe-se na prateleira o bibelô; em um primeiro momento, cuida-se dele com esmero, dedicando tempo para polir cada parte. Em um segundo momento, incia-se um processo de apontamentos de defeitos, como que se fora uma forma de dizer "olha, você não me é tão necessário assim". Depois, inicia-se o período do descumprimento. A poeira, que antes jamais poderia estar por perto, começa a assentar. Cada dia um descuido. Até que chega o momento de jogá-lo, de descartá-lo de vez. Não importa o tanto que o bibelô tenha servido para agraciar sua vida, o fim dele é o lixo. Se ele estiver com alguma parte quebrada. Maravilha! Fica mais fácil ainda menosprezá-lo. E assim, em tempos em que vivemos na era líquida dos relacionamentos, as pessoas se tornam os pequenos objetos a enfeitar por um período determinado a vida do outro. A contemporaneidade exige tudo perfeito, se o bibelô quebra, lixo para ele. Pena as pessoas pensarem assim e permitirem que outras sejam feridas tão profundamente.