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Nossa crônica

26 set 2018 às 19:47
Visitei Curitiba no último final de semana e, em que pese o fato de eu amar nossa cidade, a capital tem encantos e doçuras dos quais não pude me privar. E em busca de uma dessas doçuras, tracei um roteiro e fui visitar os lugares que não conhecia e revisitar alguns que, em meu entendimento, valiam a pena. Um desses lugares, aparentemente, oferece mais asperezas que doçuras, e novamente eu optei por estar lá, o Museu do Holocausto. O nome já sugere dor, mas não foram lágrimas nem dores que alegraram as duas horas em que lá estive. A história de um povo, de um fato, de uma guerra existe e nada se pode fazer ao que está feito. É possível, porém, recontar a história por um viés outro que permita ao visitante sair de uma visita a um local como o Museu do Holocausto cheio de vida. E foi exatamente o que aconteceu. O guia, com excelente formação para a função que exerce, foi conduzindo o grupo de visitantes e nos enredando em histórias de vida de pessoas que presenciaram a guerra. A diferença é que no lugar de nos contar sobre as dores, ele falou de flores. Falou-nos de como essas pessoas driblaram dificuldades para não perder a humanidade em tempos nos quais as pessoas foram divididas em dois grupos: uns eram humanos e outros, bichos. Falou-nos de como pessoas que pertenciam ao grupo nomeado humano arriscaram a vida para ajudar pessoas do outro grupo a comer, a se esconder, a sobreviver frente às adversidades. A segunda grande guerra foi um período de torturas e selvagerias, mas foi também um momento de bondade, de amor, de doação ao outro. Muitas décadas depois e uma distância imensa de onde se passou a guerra, pude conhecer histórias de pessoas de coragem, que floresceram e fizeram florescer vidas em meio a espinhos. Que todos nós possamos encontrar uma forma de fazer florescer a vida de alguém ao menos uma vez ao longo de nossa existência. Uma quinta florida para você, caro leitor!

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