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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
19 set 2018 às 20:00

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O tempo passa, claro. Mas ao passar não rouba de nós as lembranças mais doces, os sorrisos mais ternos, os toques mais carinhosos. Não! Essas sensações o tempo não pode apagar. E foi pensando nas infinitas lembranças que guardo de minha juventude que compus este texto. Eram outros tempos, época em que se podia andar na rua ainda pequeno, sem pensar nos percalços de agora. A gente se despedia da mãe no portão. Ela recomendava uma vez apenas que tomássemos cuidado, e ganhávamos o mundo rumo à escola. Pouco mais de seis quadras até chegar, o suficiente, porém para sentir o gosto da liberdade. Éramos um grupo de quatro meninos. Todos os dias dividíamos as risadas, contávamos os causos de ontem e um apressava o passo do outro, porque não podia haver atraso. Quadra a quadra olhávamos a rua, o céu, as árvores, o suor às vezes escorria, o frio que, em outras, cortava a face. Tempinho bom. Saudade de meus colegas, ainda hoje converso com eles. Mas vida de adulto é outra história. Não há tempo para olhar o céu, ver as árvores crescendo, ver a chuva se aproximando. Vida de adulto é tudo na hora. A gente corre tanto que, quando a chuva vem, aí é que nos damos conta de que está chovendo; quando a árvore floresce, aí é que percebemos que há dias os botões estavam lá anunciando a florada. Vida de adulto é cara para ter graça, vida de criança não. Bom, ao menos a minha vida de criança era cara em todos os sentidos, menos no sentido material. Que bom ter essas lembranças vivas dentro de mim. Que bom ter colegas que, embora eu não consiga ver com frequência, quando nos encontramos é para dividir as doces lembranças de um tempo intocável pelo tempo.
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