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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
16 set 2018 às 21:42

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Eram 17 horas quando o curso começou. Mais ou menos uns trinta alunos em sala. A professora tinha semblante calmo, falava mansinho e deixava transparecer toda a paciência do mundo para lidar com os alunos. Ela fez uma apresentação pessoal breve, falou que estava ali apenas para transmitir o que era direito em dois sentidos: direito com ideia de certo, adequado, e direito com ideia de benefício. Os alunos calados e atentos, para quebrar o gelo, a professora iniciou uma apresentação. Cada um falaria seu nome, profissão e o motivo que o levou a fazer o curso. O primeiro aluno começou, apresentou-se e disse que, por uma injustiça, um equívoco ocorrido o teria levado ali. Essa fala se repetiu na apresentação de mais de meia dúzia de alunos, até chegar num corajoso que explicou o real motivo de estar ali. A sala riu. A professora soube usar a justificativa para explicar os direitos e deveres legais inerentes à situação exposta por ele. Não é que a fala do aluno motivou os demais e, de repente, a sala dos inocentes se tornou a sala dos culpados. Ninguém matou nem roubou, o crime da maioria foi correr além do permitido, ultrapassar em lugares onde não deveria, estacionar umas muitas vezes em lugares proibidos. Os alunos eram motoristas que precisavam passar pelo purgatório para voltar a dirigir. E eu estava lá. Sem mea culpa. Cumpri o fardo e conclui que não foi tão ruim assim. Fiz amizades, dei risada, aprendi lições e paguei a pena.
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