Por que escolhi poetizar?
Nem sempre doce é a vida, muitas vezes ela se mostra bem amarguinha. De pequena, conheci esse sabor amargo, sabor acre, sabor de fel... E foi ainda menina que encontrei a poesia. Chegou até mim por mãos queridas e por palavras de um grande poeta. Com Bandeira aprendi a exprimir, com palavras, a dor, aprendi a falar do amor, assim como descrever meu cotidiano tão pequeno. Foi lendo poesia que aprendi que muito do que passava deveria ficar trancado numa gavetinha secreta, cuja chave nem mesmo eu a detinha. E depois, com palavras, tentava dizer ao outro sobre as dores, os horrores, as vontades, as obrigações. Mas ler poesia não é para qualquer um e, por isso, nem mesmo eu dizendo tanto do que comigo se passava fui compreendida. Foi lendo poesia que entendi que se pode sorrir quando se quer chorar, que se pode simular a vida alegre e perfeita a que tantos cobiçam, que se pode levar anos a descobrir a verdade, porque somente se desvenda quando se tira da vida o doce verso e se coloca a prosa real. É... a poesia me ensinou a ser simulacro! Ensinou-me a ser doce, porém impaciente, pois à mesma ligeireza com que colocava no papel os meus sentires, gostaria também que eles se tornassem concretos. De menina, nada mais tenho, talvez algum resquício tenha ficado porque, como criança, as lágrimas me vêm com muita facilidade. Da menina que nunca fui, sinto mesmo uma eterna saudade. Uma vontade de nascer de novo e me permitir aos nove anos somente correr com pés descalços pela terra pisada, subir em árvores e colher delas as frutas, cujo sabor é por demais especial quando se é criança. Nos devaneios de minha memória, ouço ainda uma voz que brinca de balança-caixão ou de salada de frutas, esconde-esconde, amarelinha, mas sempre há um grito a sobrepujar essa voz. Então, volto de minha saudade daquilo que não vivi, retorno a alguns pesadelos tão reais e tenho certeza de que a poesia é quem foi de fato minha melhor amiga, foi e é por meio de palavras que mantenho resquícios de uma pouca sanidade, são palavras que não me deixam tão sozinha, posso escrevê-las em minutos, não as apago porque as amo. Se escrevo, estou viva, porque nem mesmo o amor tem me mantido com o coração a pulsar. Por que escolhi poetizar? Ora, porque a poesia sacia minha fome do outro, mata o desejo do carinho que não recebi, do abraço que ainda espero, da mão que não segura a minha, da impaciência que me consome. E quando me ponho convivendo comigo mesma, é na poesia que me encontro e, não raras vezes, deparo-me com aquilo que me é tão essencial, o amor.
Nem sempre doce é a vida, muitas vezes ela se mostra bem amarguinha. De pequena, conheci esse sabor amargo, sabor acre, sabor de fel... E foi ainda menina que encontrei a poesia. Chegou até mim por mãos queridas e por palavras de um grande poeta. Com Bandeira aprendi a exprimir, com palavras, a dor, aprendi a falar do amor, assim como descrever meu cotidiano tão pequeno. Foi lendo poesia que aprendi que muito do que passava deveria ficar trancado numa gavetinha secreta, cuja chave nem mesmo eu a detinha. E depois, com palavras, tentava dizer ao outro sobre as dores, os horrores, as vontades, as obrigações. Mas ler poesia não é para qualquer um e, por isso, nem mesmo eu dizendo tanto do que comigo se passava fui compreendida. Foi lendo poesia que entendi que se pode sorrir quando se quer chorar, que se pode simular a vida alegre e perfeita a que tantos cobiçam, que se pode levar anos a descobrir a verdade, porque somente se desvenda quando se tira da vida o doce verso e se coloca a prosa real. É... a poesia me ensinou a ser simulacro! Ensinou-me a ser doce, porém impaciente, pois à mesma ligeireza com que colocava no papel os meus sentires, gostaria também que eles se tornassem concretos. De menina, nada mais tenho, talvez algum resquício tenha ficado porque, como criança, as lágrimas me vêm com muita facilidade. Da menina que nunca fui, sinto mesmo uma eterna saudade. Uma vontade de nascer de novo e me permitir aos nove anos somente correr com pés descalços pela terra pisada, subir em árvores e colher delas as frutas, cujo sabor é por demais especial quando se é criança. Nos devaneios de minha memória, ouço ainda uma voz que brinca de balança-caixão ou de salada de frutas, esconde-esconde, amarelinha, mas sempre há um grito a sobrepujar essa voz. Então, volto de minha saudade daquilo que não vivi, retorno a alguns pesadelos tão reais e tenho certeza de que a poesia é quem foi de fato minha melhor amiga, foi e é por meio de palavras que mantenho resquícios de uma pouca sanidade, são palavras que não me deixam tão sozinha, posso escrevê-las em minutos, não as apago porque as amo. Se escrevo, estou viva, porque nem mesmo o amor tem me mantido com o coração a pulsar. Por que escolhi poetizar? Ora, porque a poesia sacia minha fome do outro, mata o desejo do carinho que não recebi, do abraço que ainda espero, da mão que não segura a minha, da impaciência que me consome. E quando me ponho convivendo comigo mesma, é na poesia que me encontro e, não raras vezes, deparo-me com aquilo que me é tão essencial, o amor.