Estava sentada na primeira fileira de banco do ônibus, ele passou a roleta e a olhou com interesse incomum. Viu nos olhos dela um brilho sem igual, que há muito buscava nos olhos que cruzavam os dele. O rapaz tinha a bochecha levemente ruborizada, talvez, porque ela olhava para ele e sentiu que a energia de um ia ao encontro da energia do outro. Eram o par perfeito. Ele estava diante da mulher de sua vida, estava diante do amor, e esse amor tinha um cheiro de jasmim que lhe deixava entontecido. O banco que ela ocupava tinha um assento vago, ele pediu licença e sentou. Tentou puxar conversa com ela, fazendo um comentário sobre a chuva e o tempinho fresco dos últimos dias. Em vão. Ela nem sequer fez menção de responder. A menina seguia viagem atenta a cada parada do ônibus, ao passo que ele seguia viagem atento a cada detalhe dela. Cabelo na altura dos ombros, o rosto sério era apenas por estar acanhada diante dele, pensou o rapaz. As mãos eram delicadas, unhas pintadas de rosa, combinando com a rosa que ela era. O jovem olhava e dentro dele tinha convicção de que aquela moça era a mulher de sua vida. Passados uns 15 minutos, ela já incomodada de tanto ser olhada pelo rapaz, fez sinal de saltar do ônibus. Assim fez, puxou a cordinha da campainha, dirigiu-se até a porta e aguardou o veículo parar a fim de que pudesse descer rumo a seu destino. Ele, sem acreditar no que via, ficou olhando tudo com a boca aberta. A mulher de sua vida, a dona de seus sonhos acabava de sair do ônibus e ele nunca mais a veria. Não sabia seu nome, onde morava, quem era, sabia apenas que ela cheirava a jasmim. Viu a silhueta da moça desaparecer e com ela os sorvetes das tardes de domingo, os filmes no sábado à noite, as festinhas de aniversário dos sobrinhos. Quis acenar com uma das mãos, mas se deteve. Era o quinto amor de sua vida que ia embora sem falar com ele somente naquele dia.