Abriu mais uma vez a página diante dela. Viu a folha em branco, Olhou para as outras tantas já preenchidas e, mecanicamente, passou a completar os espaços vazios diante de seus olhos com as dores de seu coração. Escrevia com veemência e era com a mesma impetuosidade que lia sua vida nas páginas e páginas que desfilavam aos seus olhos. Pensou ter lançado sementes. Lançou. Era uma constatação. Mas não sementes férteis. Os frutos não eram bons. Acreditava que tudo dela não fosse bom. Em tudo o que lia, via lágrimas. Em tudo o que lia, via tristeza. E naquele momento, silenciar-se era tudo o que ela queria, silenciar-se era tudo de que ela precisava.
Nem bem tivera concluído seu amargo raciocínio, quando decidiu esvair-se daqueles pensamentos tão maus. Abriu uma janela virtual e viu um colecionador a mostrar as fotos de um violão tao raro. Eram fotos graciosas. Era um violão lindo. Parou um tempo em cada uma delas. Pensou na satisfação que viu nos olhos dele. Como estava feliz com seu objeto com o qual faria as mais belas canções para ouvidos que a elas merecessem. Sim, pois por certo haverá alguém a quem a música será um presente. Alguém para quem ele irá tocar. Alguém para quem ele irá compor. Pensou a moça em quantos presentes já havia dado e quantas lágrimas já havia derramado sem que alguém as secasse. Pensou naquele colecionador e pensou ainda a moça na sua própria coleção de páginas e páginas escritas. Chorou muito, as lágrimas eram constantes, suas mãos tremiam, seu peito parecera-lhe arrebentar tamanha era a intensidade com que o coração batia. Não podia mais segurar a caneta e as folhas foram ficando molhadas e salgadas. Uma vez mais ela se voltou às fotos tão belas. Sentiu um amargo muito grande subir em sua boca. Uma dor indescritível latejar em seu estômago. Ficou um tempo imóvel na cama. Sem escrever, sem pensar, somente chorava e, à medida que sentia o sal da lágrima em seu rosto, foi tomada de uma fraqueza, fechou os olhos, desejou ficar ali, imóvel, sozinha e cheia dela mesma. Cheia das sementes que nela habitam. Não conseguiu pensar em mais nada. Silenciar-se era tudo o que ela queria, silenciar-se era tudo de que ela precisava.
Nem bem tivera concluído seu amargo raciocínio, quando decidiu esvair-se daqueles pensamentos tão maus. Abriu uma janela virtual e viu um colecionador a mostrar as fotos de um violão tao raro. Eram fotos graciosas. Era um violão lindo. Parou um tempo em cada uma delas. Pensou na satisfação que viu nos olhos dele. Como estava feliz com seu objeto com o qual faria as mais belas canções para ouvidos que a elas merecessem. Sim, pois por certo haverá alguém a quem a música será um presente. Alguém para quem ele irá tocar. Alguém para quem ele irá compor. Pensou a moça em quantos presentes já havia dado e quantas lágrimas já havia derramado sem que alguém as secasse. Pensou naquele colecionador e pensou ainda a moça na sua própria coleção de páginas e páginas escritas. Chorou muito, as lágrimas eram constantes, suas mãos tremiam, seu peito parecera-lhe arrebentar tamanha era a intensidade com que o coração batia. Não podia mais segurar a caneta e as folhas foram ficando molhadas e salgadas. Uma vez mais ela se voltou às fotos tão belas. Sentiu um amargo muito grande subir em sua boca. Uma dor indescritível latejar em seu estômago. Ficou um tempo imóvel na cama. Sem escrever, sem pensar, somente chorava e, à medida que sentia o sal da lágrima em seu rosto, foi tomada de uma fraqueza, fechou os olhos, desejou ficar ali, imóvel, sozinha e cheia dela mesma. Cheia das sementes que nela habitam. Não conseguiu pensar em mais nada. Silenciar-se era tudo o que ela queria, silenciar-se era tudo de que ela precisava.