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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
08 ago 2018 às 22:10

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Sabe quando a casa está toda desarrumada, roupas fora do lugar, louças na pia e chão precisando ser varrido? Assim é o nosso coração. A diferença entre ele e a casa é a de que, na casa, em três horas ou um pouco mais , a gente vai colocando tudo no lugar. Passa o pano nos móveis e remove a poeira, joga água no quintal e faz reviver o piso judiado pelo pó, dobra as roupas e lava a louça e pronto. Com o coração não. Ai, ai, ai... Esse órgão faz a gente ser bobo por amor, por carinho e é o epicentro do funcionamento do nosso corpo, não é fácil de organizar. Nosso coração é uma casa enorme com cômodos vários. Alguns são mais fáceis de alinhar, a gente enche e esvazia rapidinho com novidades, com alegrias, com vontades, com possibilidades. Porém, tem um cômodo dentro da gente que, quando cheio, torna-se quase impossível tirar de lá seu conteúdo. A gente nem sabe como e por que ele se encheu. E ele fica lá quietinho, guardado e até nos engana, permitindo acreditar que está vazio. Mas num piscar de olhos, ou no balanço do vento, o morador desse cômodo se apresenta para dizer: ‘estou aqui, posso sair, mas me dá um tempo porque não está ainda na hora.’ E ele, o tempo, é o único que consegue tirar esse morador do cômodo. É devagarinho que o tempo trabalha. É devagarinho que ele permite que o morador saia de lá. Não há receita, não há mandado, só há paciência, para que o ilustre morador, cujo nome é amor impossível, mude-se dali e deixe livre o cômodo para que uma nova história possa ser vivida.
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