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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
01 ago 2018 às 20:05

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Quando chegaram ao Brasil, os portugueses se deslumbraram com a vasta quantidade de água com que se depararam e, ainda, com a higiene dos índios. Caminha, em sua "Carta do Achamento", fez questão de contar ao Rei de Portugal como era asseado o povo que estas terras habitavam. Isso não é novidade para nós, herdeiros de hábitos indígenas, acostumados que estamos com, no mínimo, um banho ao dia. Porém, para o europeu do século XVI, o banho diário era fenômeno raro e inimaginável e a relação que ele tinha com a água era bem distante daquela que eles veem o índio manter. Para o índio, a água é bem incalculável, necessário à manutenção da vida e pertencente aos rituais religiosos. O uso inteligente dela pode ser visto em outras sociedades, a exemplo, a mesopotâmica, a chinesa e a egípcia. A "moderna" sociedade europeia tem com a água uma relação ligada à urbanização. A Revolução Industrial, que propiciou muitas mudanças na sociedade, como o inchaço das cidades, não tratava a água como questão prioritária. Na verdade, essa noção de prioridade que o assunto exige passa a ser construída bem recentemente. Há menos de 30 anos, os rios recebiam (e ainda recebem) os resíduos tóxicos da indústria, o desperdício de água é volumoso, a engenharia devagar vai desenvolvendo projetos que visam à reutilização dos recursos hídricos, mas o alto custo ainda é um desafio para que esses projetos se efetivem, além de acidentes ambientais de grandes proporções. E em meio a tudo isso estamos nós e a nossa falta de crença de que o futuro possa ser obscuro quando o assunto envolve a água. O amanhecer da última terça foi agradável, porque a chuvinha da madrugada trouxe um ventinho gelado e leve. Ansiávamos por chuva, assim como nosso corpo anseia por água. Brindemos a chegada da chuva e valorizemos a água, pois uma está ligada à outra, e ambas estão ligadas à vida, à purificação e ao poder sagrado de fazer brotar a semeadura.
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