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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
19 jul 2017 às 22:57

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O hospital é uma plataforma, ponto de partida e de chegada. Nele saudamos a vida e nos regozijamos com o espetáculo de nascer. Todavia, ele é também lugar de despedida. Não uma despedida qualquer que fazemos a alguém que dali a pouco vamos encontrar e poder abraçar, contando as novidades. O hospital é plataforma fixa, onde se ri pelo nascimento ou se chora pela partida. Claro que é preferível esse a esta. No entanto, somos preparados para as duas situações, na verdade, pensamos que somos, o momento em que nos deparamos com o adeus é também instante que ecoa em nós para sempre. Lágrimas e lamentos são apenas modos de externar o que fica oculto. São formas de externar a dor corrosiva, a tristeza infinda e a saudade dolorida daqueles que deste plano se vão. Não queria ter de dizer adeus a quem amo, tampouco sentir no corpo o arrepiar de uma solidão que só quem já se despediu de uma pessoa muito querida sabe mensurar como é. Nesta noite fria de julho, apenas choro baixinho e deixo meu corpo rendido a uma tristeza profunda... Saio da plataforma, onde estive por meses como visitante, com o gosto amargo do adeus.
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