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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
25 set 2016 às 22:47

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Lições de como construir o amor

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Em tempos em que muitas pessoas acreditam que as relações se constroem a partir da atração física, porque compartilham dos mesmos gostos que o outro, a saber, balada, festas e muito mais, desde que seja superficial, gosto de pensar ao revés, ainda que compartilhe da ideia de que se sentir atraída pelo outro é indiscutivelmente necessário. Porém, do alto dos meus quarenta anos, prefiro buscar mais que gostos fúteis ou ligados a tudo o que seja efêmero. Gosto de pensar nas relações humanas como teias a serem tecidas diariamente, como uma cortina que, paulatinamente, vai sendo aberta e revela um palco cheio de encantos, de segredos, de novidades que, à medida que se conhece, deseja-se mais e mais conhecer e se aprende a amar a quem se conhece, a cada dia um pouco mais. E quando se pensa que já se ama o suficiente, surge mais surpresa ainda, porque se descobre que há muito mais a conhecer e, por conseguinte, a amar. Quando se olha para o externo, em pouco mais de duas miradas, já se descobre o que há para ver. Pode-se, evidentemente, aperceber-se de um novo sorriso, uma forma diferente de tocar o cabelo, trejeitos que são necessários ao encantamento que o outro provoca. E de fato são. Todavia, o que chama a atenção não é o exterior, que muitas vezes vem mascarado, cheio de recursos estéticos. Não, não é o exterior! O que me chama a atenção é aquilo que faz com que um ser humano seja tão especial, sua essência, a maneira como expõe suas ideias, a forma como articula seu pensamento, as novidades que surgem a partir de comentários, às vezes tolos, às vezes sem intenção de serem tão aprofundados. Descobrir o outro põe em prática a alteridade, a busca por tentar compreender, sem julgar, as atitudes e decisões, somente ouvir e se posicionar na pele daquele que narra suas experiências. Descobrir o outro é conhecer um universo e apresentar outro e constatar que, embora seus caminhos tenham sido sempre tão distantes, há tanto de igual neles, há tantas ideias que convergem para as mesmas veredas. Há um universo a ser desnudado e nesse processo enxerga-se a si mesmo. Não se pode precisar por quanto tempo o processo de descoberta será tão fascinante, mas se pode pensar que ele será chama a acender a cada conversa, a eternidade é uma questão de ponto de vista. Então, que seja eterno, já que é chama, e fascinante, pois há muito a aprender com quem tem a ensinar.

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